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Brasília - O destaque adquirido pelas pesquisas eleitorais realizadas e
divulgadas no Brasil nos últimos anos pode revelar não somente as tendências de voto, como também a
linha adotada no debate político no país. A avaliação é da presidente da
Sociedade Brasileira de Pesquisa de Mercado, Adélia Franceschini.
“As pesquisas eleitorais ganharam uma dimensão enorme dentro
de um vácuo da discussão política. Pouco se debate conteúdo ou projeto de
nação. O processo eleitoral é político e social. E deveria ser retratado de uma
maneira mais rica”, afirma Franceschini. “Ao dar ênfase excessiva às pesquisas, os próprios
jornalistas erram porque deixam de ressaltar o que realmente os candidatos têm
de proposta para o país.”
O sociólogo Agenor Gasparetto acredita que, nas eleições
deste ano, as pesquisas só perderam lugar nas manchetes para as denúncias de
corrupção, mas ainda assim tiveram um lugar de destaque, que precisaria ser
repensado pelos meios de comunicação, partidos e políticos. Especialmente com
relação às pesquisas divulgadas após o término da campanha (no presente caso, ontem, quinta-feira).
“Durante a campanha, os números ainda podem ser
questionados pelos candidatos, que ainda têm a chance de apresentar argumentos
para o eleitor não ser levado pelo voto útil”, diz o professor da Universidade
Estadual de Santa Cruz (BA) e pesquisador do Instituto de Sócio Estatística.
“Se eu fosse candidato, exigiria que o Tribunal Superior Eleitoral proibisse a
divulgação das pesquisas na sexta, sábado e domingo.”
Para Gasparetto, nas eleições presidenciais deste ano,
aparentemente, as pesquisas exercerão pouca influência nas intenções de voto.
Não teriam ocorrido discrepâncias relevantes entre levantamentos, e os números
podem corresponder com o resultado das urnas.
Já nas disputas regionais, os levantamentos podem, na
opinião do sociólogo, ter um impacto significativo. “Na Bahia, por exemplo,
foram divulgadas pesquisas esta semana que haviam sido realizadas no início do
mês. Também vi levantamento scom metodologias questionáveis, que não incluíam na
lista de entrevistados regiões e cidades importantes do estado”, conta o
pesquisador.
“Em um quadro regional de
disputa acirrada, as pesquisas podem estar estimulando o voto útil,
especialmente nesses últimos três dias, quando os candidatos em desvantagem já
não podem se manifestar”, completa.
O TSE permite a divulgação, no dia do pleito, de
pesquisas feitas até o dia anterior e devidamente registradas no tribunal. As pesquisas
de “boca de urna” para os cargos de governador, senador e deputados federais,
estaduais ou distritais poderão ser divulgadas assim que for encerrada a
eleição na respectiva unidade da federação.
Os levantamentos referentes à
disputa para a Presidência da Republica só podem ser anunciadas após a
conclusão da eleição em todo o território nacional, respeitando as diferenças
de fuso horário.
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