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29 de Setembro de 2006 - 13h12 -
Última modificação
em 29 de Setembro de 2006 - 15h33
Nos bares de Ceilândia Norte, horário eleitoral “já vai tarde"
Spensy Pimentel
Repórter da Agência Brasil
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Valter Campanato/ABr
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Ceilândia Norte (DF) - Moradores da cidade-satélite assistem ao último dia de horário eleitoral na TV.
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Brasília - Quinta-feira, 28 de setembro, oito e meia da noite. Começa em rede nacional de televisão o último horário eleitoral de 2006. “Pois esse negócio já devia ter terminado há muito tempo”, brada o porteiro Renato de Araújo Costa, 37 anos.
Ele abandona o copo de cerveja no balcão e dá as costas para a TV pendurada na parede para conversar com o repórter. “Escreva aí. Eu estou de-ce-p-ci-o-na-do com a democracia brasileira. Se não fosse obrigado, não comparecia domingo na eleição de jeito nenhum. E como eu, tem um monte por aqui.”
Estamos no bar do Mumu, na quadra 8 de da região norte de Ceilândia, cidade-satélite a 25 km de Brasília. Copo de cerveja vazio é ofensa. Na porta do bar vizinho, do Cícero, a churrasqueira está repleta de espetinhos. “Eles falam que ‘o seu voto é a sua arma’. Mas, de repente, aquele em quem eu votei faz uma corrupção lá dentro. E esse homem vai preso? Não pega nem um ano. Um pobre é que faz qualquer coisinha e vai pra cadeia.”
O pedreiro Adenivaldo Barbosa Dias (ofendido quando lhe pergunto a idade) entra na conversa. “Deixa eu falar”, pede, com voz embargada pelo álcool. “Eu quero é saber por que candidato só chega na comunidade pobre pra pedir voto nessa época. Se eu fosse candidato...”, diz ele. Renato interrompe: “Se você fosse, roubava igual eles. Candidato hoje só quer saber do salário que vai ganhar”.
O eletricista CLóvis Magri, 42 anos, está sentado mais ao fundo, para evitar o conflito. "O horário eleitoral está acabando, mas ninguém aqui tem candidato certo, não. Só pra distrital. porque é gente aqui da nossa cidade mesmo. O resto, se não for daqui, não tenho consideração, não."
No bar do Cícero, logo ao lado, lá no fundo do bar, a TV exibia um DVD com shows de forró. Ele sintoniza o horário eleitoral quando tem notícia de que a reportagem está ali para conversar sobre política com os fregueses. O gráfico Lúcio Vieira Fiúza, 46 anos, e o funcionário público Marcelo Galvão Ferreira, 33 anos, têm divergências bem maiores no futebol que na política.
“Flamenguista? Dá licença, você nem sabe dizer a escalação do seu time”, ironiza Lúcio, que torce pelo Atlético Mineiro – atualmente na segunda divisão do Campeonato Brasileiro. “Mas estamos nas cabeças”, diz ele, para explicar a soberba com que fala do time.
A final do Campeonato Brasileiro de 1980 entre Atlético e Flamengo, segundo Lúcio, serve como comparação com o estado atual do futebol – e da política nacional. “Se não me engano, foram 158 mil pagantes no Maracanã. Hoje, tem no máximo 15 mil, 20 mil em qualquer jogo”, conta ele. “Futebol e política hoje é assim: pra ter retorno, tem que ter dinheiro pra empregar. O que manda hoje é a imagem.”
Do outro lado da rua, uma escola pública. Mas, num raio de 200 metros, só as igrejas evangélicas rivalizam com a quantidade de bares abertos. Atrás de nós, o horário eleitoral termina. O DVD de forró volta a ser exibido no bar do Cícero, e ninguém repara. À porta do bar, Marcelo resume: “A política, este ano, foi fraquíssima. Pelo lado dos políticos, porque proibiram os showmícios. Antes, nessa época, era pra estar cheio de gente na rua, vendo show, ouvindo o pessoal falar. E, pelo lado da população, é porque o povo está indignado com a roubalheira”.
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