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Brasília - As
urnas das eleições de 2006 serão abertas para receber os votos dos eleitores apenas no próximo domingo de manhã. Nos últimos meses, entretanto, centenas de levantamentos tentaram prever e adiantar
o resultado dessa escolha.
De 1º de janeiro a 22 de setembro, os institutos de
pesquisa do país registraram 362 pesquisas sobre intenção de voto para presidente no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na última semana de campanha, esse número
pulou para 475 – 113 estudos registrados em sete dias, mais de 16 por dia.
Uma resolução do TSE de março deste ano (número 22.143) determinou que,
cinco dias antes da divulgação, todas as pesquisas eleitorais fossem registradas
nos tribunais, incluindo-se os dados sobre sua metodologia, a origem dos recursos e
questionários aplicados.
Caso a lei não seja cumprida, os infratores podem ser multados entre 50 mil
e 100 mil Ufirs. Eventuais fraudes acarretam, além da multa, detenção de seis a
12 meses.
Quando os estudos envolvem sondagem sobre os candidatos a
presidente, esse registro deve ser feito no próprio TSE. De acordo com a
resolução, as pesquisas que não forem destinadas à divulgação não precisam de
registro.
"Isso significa que o número de levantamentos realizados
pode ser ainda maior", destaca o cientista político Alberto Almeida, autor do
livro Como São Feitas as Pesquisas Eleitorais e de Opinião (Editora FGV). Almeida é diretor-técnico da Ipsos Opinion, empresa que faz
estudos eleitorais para partidos e campanhas.
A maior parte das pesquisas não é
divulgada, explica ele. "São pesquisas que não mostram apenas a preferência do
eleitor, mais avaliam a imagem do candidato, as principais questões levantadas
pelos eleitores e as possíveis soluções para os problemas", diz o cientista
político.
Na avaliação dele, as pesquisas eleitorais desempenham
diversos papéis no processo eleitoral. Para os meios de comunicação, funcionam
como notícia. Para o eleitor, como informação. E, para os candidatos, são elemento
essencial para as estratégias de campanha.
"Este ano, observamos um menor
número de questionamentos com relação às pesquisas divulgadas na imprensa sobre
a disputa pela presidência. Acho que isso se deve ao fato de ser uma eleição
teoricamente mais definida desde o início. Quando você tem um candidato com a
preferência maior, a margem para a controvérsia diminui", diz
Almeida.
Para o pesquisador, a maioria dos
institutos de pesquisa brasileiros trabalha com metodologias validadas
internacionalmente e confiáveis. "As suspeitas de manipulação de dados, em
geral, vêm das disputas regionais. As pesquisas locais são mais questionadas, e
as suspeitas de favorecimento político, mais freqüentes."
De acordo com a prestação de
contas registrada no TSE em 6 de setembro, a campanha do candidato à reeleição presidencial Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) gastou, até o início deste mês, R$ 1,1 milhão com pesquisas
eleitorais.
O comitê de
financiamento da campanha do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) registrou um gasto
de R$ 773,5 mil com os levantamentos eleitorais. Não constam gastos com pesquisas na prestação de contas dos
outros candidatos e comitês disponibilizadas pelo TSE.
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