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Rio de Janeiro - Os partidos que não conseguiram cumprir a cláusula de
barreira vão poder formar as chamadas federações parlamentares, embora ainda
não haja definição da Justiça Eleitoral se eles poderão manter os privilégios
que tinham até agora.
A informação foi dada pelo presidente do Instituto
Brasileiro de Pesquisa Social, Geraldo Tadeu Monteiro, em entrevista ao Programa
Notícias da Manhã, da Rádio Nacional. Segundo o cientista político,
são partidos que têm deputados eleitos e que no Congresso Nacional vão formar
federações, como uma formação em bloco, para que possam atuar de maneira
parlamentar.
Eles poderiam solicitar também à Justiça Eleitoral, que em
função dessa federação parlamentar, lhes concedesse os mesmos privilégios que
até então eram dados aos partidos. Mas essa é uma questão que não está
resolvida na legislação e que dependeria de interpretação da Justiça eleitoral.
Sobre o acesso ao Fundo Partidário e aos programas
eleitorais, Monteiro disse que não há previsão explícita na legislação e
dependeria da Justiça Eleitoral interpretar que uma vez esses partidos
constituindo-se em federações parlamentares estariam cumprindo a cláusula de
barreiras.
Apenas sete partidos cumpriram a cláusula de barreira (PMDB,
PP, PSB, PT, PSDB, PFL e PDT), entre os que ficaram de fora, ou seja, não
conseguiram mais de 5% dos votos nas eleições, distribuídos em nove estados com
no mínimo 2% dos votos apurados em cada um deles, estão o PSOL, PPS, PL e PTB.
Segundo o professor é muito importante o efeito deste
mecanismo na vida dos partidos, que vão ter que dividir entre si apenas 1% do
Fundo Partidário. No cálculo dele, isso representa um valor em torno de R$ 1
milhão para cerca de 27 partidos. “Cada partido vai receber para sua manutenção
durante o ano cerca de R$ 40 mil reais o que é muito pouco para um partido
político e vai deixá-los em situação de penúria operacional”, afirmou.
O cientista lembrou que esses partidos vão perder também o acesso
ao programa nacional em horário nobre e mais os 27 programas regionais em
cadeia estadual. “Eles terão direitos apenas a 2 minutos de spot publicitário
por semestre, o que efetivamente é muito pouco”, disse.
A cláusula de barreira também vai alterar o funcionamento da
Câmara, já que os partidos não terão mais o direito ao voto de liderança, não
poderão indicar mais representante do partido para relatorias, para participar
de comissões permanentes, provisórias e parlamentares de inquérito e nem
indicar membros para participação na mesa diretora do Congresso Nacional,
então, por isso a tendência é terem uma maior dificuldade. “Os partidos vão
continuar a existir podem lançar seus candidatos normalmente, mas não terão
mais direito a esses privilégios que tinham até agora”.
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