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27 de Outubro de 2006 - 20h40 - Última modificação em 27 de Outubro de 2006 - 22h31


Propostas sociais revelam diferentes visões dos candidatos sobre papel do Estado, dizem especialistas

Juliana Cézar Nunes e Marcela Rebelo
Repórteres da Agência Brasil

 
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Brasília - Na proximidade de eleições presidenciais passadas, os brasileiros indecisos sobre seu voto costumavam se perguntar sobre a política econômica proposta pelos candidatos. Este ano, porém, a discussão sobre políticas sociais tem sido uma das vedetes das campanhas.

Uma das questões mais debatidas pelos candidatos à Presidência da República neste segundo turno foram as políticas sociais. Ao apresentar propostas para o setor, Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PRB/PCdoB) e Geraldo Alckmin (PSDB/PFL) teriam deixado claras diferentes visões do Estado.

A avaliação é da diretora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) Dulce Pandolfi. “Alckmin busca diminuir as interferência do Estado e Lula apresenta propostas no sentido contrário”, afirma a historiadora, que é professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com ela, o candidato petista dá destaque aos programas de transferência de renda, sob uma perspectiva de combate à fome, processo no qual, segundo Lula, o Estado é o principal responsável.

Já o candidato tucano, apesar de também falar de medidas de transferência de renda, foca seu programa em propostas de capacitação profissional e geração de emprego, processo no qual o protagonista, segundo o programa de Alckmin, é a iniciativa privada, com o apoio do Estado.

Para o gestor de relações institucionais da Pastoral da Criança, Clóvis Boufleur, a capacitação profissional e a revisão de pelos menos 20% do cadastro do Bolsa Família serão desafios para o próximo governo. “Os dois candidatos apresentam visões diferentes do papel do Estado, mas com propostas que devem ser implementadas, independente do candidato eleito”, diz Boufleur.

“Eles devem compreender que todos os brasileiros na linha da pobreza devem ter o acesso a alimentação garantido", diz ele. "Em muitos casos, mesmo com condicionalidades e capacitação profissional, existe uma população que continuará dependendo dos programas de transferência de renda por não conseguir superar o histórico de vida sem oportunidades.”



 


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