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Brasília - Na proximidade de eleições presidenciais passadas, os brasileiros
indecisos sobre seu voto costumavam se perguntar sobre a política
econômica proposta pelos candidatos. Este ano, porém, a discussão sobre
políticas sociais tem sido uma das vedetes das campanhas.
Uma das questões mais debatidas pelos candidatos à Presidência da República neste segundo turno foram as políticas
sociais. Ao apresentar propostas para o setor, Luiz Inácio Lula da
Silva (PT/PRB/PCdoB) e Geraldo Alckmin (PSDB/PFL) teriam deixado
claras diferentes visões do Estado.
A avaliação é da diretora do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e
Econômicas (Ibase) Dulce Pandolfi. “Alckmin busca diminuir as
interferência do Estado e Lula apresenta propostas no sentido
contrário”, afirma a historiadora, que é professora da Fundação Getúlio
Vargas (FGV).
De acordo com ela, o candidato petista dá destaque aos programas de
transferência de renda, sob uma perspectiva de combate à fome, processo
no qual, segundo Lula, o Estado é o principal responsável.
Já o candidato tucano, apesar de também falar de medidas de
transferência de renda, foca seu programa em propostas de capacitação
profissional e geração de emprego, processo no qual o protagonista,
segundo o programa de Alckmin, é a iniciativa privada, com o apoio do Estado.
Para o gestor de relações institucionais da Pastoral da Criança,
Clóvis Boufleur, a capacitação profissional e a revisão de pelos menos
20% do cadastro do Bolsa Família serão desafios para o próximo governo. “Os dois candidatos apresentam visões diferentes do papel do Estado,
mas com propostas que devem ser implementadas, independente do
candidato eleito”, diz Boufleur.
“Eles devem compreender que todos os brasileiros na linha da pobreza
devem ter o acesso a alimentação garantido", diz ele. "Em muitos casos, mesmo com
condicionalidades e capacitação profissional, existe uma população que
continuará dependendo dos programas de transferência de renda por não
conseguir superar o histórico de vida sem oportunidades.”
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