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Brasília - Antes de ser aceita para participar de um grupo de pesquisa qualitativa para
campanhas políticas, a pessoa é entrevistada. Como explicam as pesquisadoras
Karin Cohen e Mônica Numan, ela não pode ser filiada a um partido político, nem
pertencer ou ter parentes que pertençam a determinadas classes profissionais,
como jornalismo, publicidade e marketing, por exemplo. As pessoas que vão compor
o grupo não podem se conhecer previamente, também.
Os selecionados ganham dinheiro pela participação (normalmente, entre R$ 30
e R$ 150, conforme a classe social) e são informados previamente de que a
sessão será gravada e observada pelo espelho falso. Não é dada nenhuma pista
sobre qual será o tema de que se vai ter de falar.
Cada grupo terá entre seis e dez pessoas. Menos que seis pode dar resultados
fracos. Mais que dez dificulta a análise dos resultados. O primeiro critério
para seleção é a classe social, por itens de conforto presentes na residência
(geladeira, fogão, televisão, DVD, computador etc.), conforme critérios do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Pessoas de classe A e B, em geral, são separadas das de classe C, D e
E, porque os marqueteiros consideram que as pessoas com menor nível de
escolaridade podem ficar inibidas diante das mais instruídas. "As pessoas
falam mais, ficam menos tímidas assim", explica Márcia Cavallari, diretora
executiva do Ibope.
Da mesma forma, nos grupos de classes mais baixas, normalmente, não há
grupos mistos de homens e mulheres, porque estas, em geral, tendem a ficar
inibidas, como explicam Karin e Mônica. De forma geral, porém, os grupos são compostos por 50% de homens e 50% de
mulheres. Metade do grupo será de eleitores do candidato e metade de não
eleitores. Geralmente, as pessoas tem entre 25 e 40 anos, porque é nessa faixa
que está a maioria dos eleitores.
Em todos esses quesitos, pode haver variações, conforme a finalidade da
pesquisa: um político pode querer saber apenas o que pensam dele eleitores
indecisos, ou de uma determinada região, ou faixa etária etc. A não ser que se
trate de pesquisas específicas, não são considerados quesitos como raça,
religião e preferência sexual.
Os grupos montados para acompanhar os debates de TV têm algumas
especificidades. Isso porque não é possível ter muitos grupos ao mesmo tempo,
já que é preciso ter agilidade para repassar as informações aos assessores dos
candidatos.
A particularidade das campanhas presidenciais é que, devido à diversidade do
país, é normal montar grupos em pelo menos três capitais: uma do Sul, outra do
Sudeste e outra do Nordeste. Fora da situação de emergência que é o debate,
Márcia Cavallari calcula que é preciso montar dois grupos por cidade, em nove
capitais de quatro regiões.
O custo não é pequeno, e as pesquisas têm sido, nas últimas décadas, um dos principais fatores a "inflacionar" o preço das campanhas políticas. Uma única sessão de qualitativa custa entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, segundo as pesquisadoras consultadas. Isso ainda não inclui o que se paga para os profissionais que fazem as análises dos relatórios. Numa campanha presidencial, que tem necessidade de encomendar pesquisas em todo o país, o custo pode ser, literalmente, milionário.
Em geral, os grupos são compostos por pessoas de classes C e D (que
representam, nos cálculos das pesquisadoras Karin Cohen e Mônica Numan, cerca
de 70% da população brasileira). "Além disso, se houver problema de
entendimento, são as pessoas de menor escolaridade que tendem a ter
dificuldades", como lembra Cavallari.
O perfil típico de uma pessoa que compõe um grupo desses, segundo as
pesquisadoras: tem renda familiar entre R$ 600 e R$ 1200; cursou, no máximo, o
ensino fundamental (1º grau) completo; trabalha, em geral, sem
carteira assinada. Márcia cita números do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística: 58% dos brasileiros têm até 8a série; 31%, cursaram até
o ensino médio; só 11% da população teve acesso ao ensino superior.
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