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27 de Outubro de 2006 - 17h39 -
Última modificação
em 27 de Outubro de 2006 - 17h39
Embrapa apresenta segundo bezerro de clone bovino
José Carlos Mattedi
Repórter da Agência Brasil
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Elza Fiúza/ABr
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Fazenda Sucupira (DF) - Bezerro Galante, filho natural da fêmea bovina clonada Vitória da Embrapa, foi apresentado hoje em cerimônia sobre biotecnologia.
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Brasília - Galante, um bezerro de dois meses, é a principal atração do
Dia de Campo, uma feira de biotecnologia promovida pela Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Campo Experimental Sucupira, em Brasília. O
animal é o segundo filho natural de um clone bovino da raça Simental, a fêmea
Vitória, que já é mãe de Glória, hoje com dois anos. A importância de Galante,
segundo técnicos da Embrapa, está na possibilidade de se obter várias gerações
de Simental, normais, a partir de uma clonagem.
“Galante é o significado da validação da clonagem animal no
Brasil”, comemora o médico veterinário Maurício Machaim, pesquisador na área de
reprodução animal da Embrapa-Cenargen (Centro Nacional de Recursos Genéticos e
Biotecnologia), com doutorado em genética animal. O bezerro, segundo Machaim,
tem sua importância por ser filho e primeiro macho de um clone bovino.
“Estamos construindo uma família gerada a partir de uma
clonagem. No futuro, vamos usar o sêmen dele para inseminação e validar a sua
fertilidade”, informou. Galante foi apresentado nesta sexta-feira (27) pela
primeira vez ao público.
O Dia de Campo, coordenado pela Embrapa-Cenargen, busca
gerar conhecimento, transferir e divulgar tecnologias nas áreas de genética e
biotecnologia produzidas pela Embrapa.
A Embrapa, com suas pesquisas, representa as conquistas do
Brasil no campo do melhoramento genético. Galante é a mais nova prova desses
avanços nos setores de clonagem, transgenia, transferência de embrião e
produção in vitro.
Tudo começou no início da década de 1980, quando foram
realizados os primeiros testes de transferência de embrião. Em 1984,
conseguiu-se a bipartição de embrião, onde cada metade foi colocada em vacas
“mães de aluguel”, com sucesso. Dez anos depois, foi produzido o primeiro
bovino in vitro do país.
Em 2001 nasceu Vitória, primeiro clone bovino da América
Latina. Dois anos depois, a vaca gerou Glória, que está prenha e vai ter sua
cria no final de novembro. Também em 2003, obteve-se os dois primeiros eqüinos
(Neve e Branca) oriundos da bipartição embrionária e, mais impressionante, a
Embrapa conseguiu dar vida a células do ovário de uma vaca morta, e de um dos
oito embriões formados nasceu Lenda, uma vaca da raça holandesa, que já pariu a
bezerra Fábula. Já no ano passado, nasceram dois clones bovinos (Potira e Porã)
da raça Junqueira, em risco de extinção.
Segundo Machaim, os experimentos vão continuar, mas o
objetivo agora é a produção de transgênicos bovinos. Para se obter esse animal,
é necessário usar a tecnologia da clonagem embutida na metodologia da
transgenia. “Já fizemos um experimento, mas o animal nasceu morto. Ele iria
produzir uma proteína no leite para diagnosticar precocemente o câncer humano”,
revela.
Outro estudo concentra-se no fator 9 - proteína importante
na coagulação sanguínea, o que beneficiará principalmente os hemofílicos. “A
idéia é produzir essa proteína no leite. É o que a gente chama de bio-fábrica,
um animal produzindo proteínas de interesse farmacológico para saúde humana”,
conta o pesquisador da Embrapa, sem dar prazo para a finalização desses
experimentos em transgenia.
Para o médico veterinário, a importância de se trabalhar com
a clonagem e a transgenia reside em três fatores: disponibilizar essas
ferramentas aos produtores rurais para a multiplicação de animais de alto
mérito genético, associando a reprodução a um melhoramento das matrizes
reprodutoras e em maior escala; produzir proteínas em benefício da saúde
humana; e utilizar a reprodução para evitar o fim de raças ameaçadas de
extinção.
“Estas são raças que vieram com os colonizadores
portugueses, que passaram por uma seleção natural e correm o risco de extinção.
O risco atinge bovinos, suínos, eqüinos, caprinos e ovinos”, assinala.
A Embrapa é a principal empresa de biotecnologia de
reprodução animal da América Latina. Seus cursos são acompanhados por alunos de
diversos países. A empresa possui 41 unidades espalhadas pelo Brasil, em áreas
de pesquisas básicas e aplicadas.
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