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27 de Outubro de 2006 - 12h39 - Última modificação em 27 de Outubro de 2006 - 15h16


"Você compraria um carro usado desse candidato?", questionam as qualitativas

Spensy Pimentel
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Uma sessão de pesquisa qualitativa para campanhas eleitorais começa, normalmente, com uma conversa que está muito distante da política. Os pesquisadores utilizam "técnicas facilitadoras", como explica a diretora executiva do Ibope Opinião, Márcia Cavallari.

A pesquisadora Karin Cohen conta como é o clima no início de uma sessão: "Você entra no assunto aos poucos, serve um lanche. Primeiro começa a descontrair, pergunta onde as pessoas moram, faz com que elas falem um pouco das suas vidas". "Depois, quando as pessoas estão falando do bairro onde moram, naturalmente a política vai entrando: como é a segurança, as escolas, a saúde lá onde você vive?"

A partir daí, começa-se a falar da política de uma forma genérica. "O que você espera que um governante faça? Como deveria ser a segurança, a educação?", conta Cohen. "Num certo ponto, vamos chegando mais perto: o que você acha do político tal?"

Márcia Cavallari relata que, mesmo ao falar diretamente dos políticos, é importante utilizar perguntas que possibilitem leituras mais complexas. "Utilizamos perguntas como: de qual desses candidatos você compraria um carro usado? Se chegasse um ET aqui nesta sala agora, que nunca tinha ouvido falar nada de política, como você descreveria para ele o candidato tal?"

Outra técnica, conta Cavallari, é a associação com animais. "Se o candidato fosse um bicho,que bicho seria? Por quê? O que significa esse bicho pra você?", relata ela. "As pessoas falam em sua própria linguagem cotidiana e acabam revelando coisas muito profundas", explica. "O objetivo da pesquisa é conseguir verbalizações 'não conscientes', estimular a expressão de coisas que normalmente a pessoa não racionaliza."

Normalmente, os moderadores são profissionais com formação em psicologia ou ciências sociais. Os resultados das pesquisas qualitativas não são suficientes por si. Em geral, elas estão associadas ao que é obtido nas quantitativas de antemão, ou indicam pistas para as equipes desse outro tipo de pesquisa irem a campo. "O perigo é generalizar os resultados da qualitativa. Ela só te dá pontos de possíveis ruídos e elementos para investigar de maneira mais aprofundada", diz Cavallari.

Em seu livro Casos e Coisas, o publicitário Duda Mendonça, um dos introdutores da técnica das qualitativas no contexto político no país, afirma que as "qualis", como são chamadas as qualitativas, não são "infalíveis" quando se trata de tomar decisões em uma campanha: "Dificilmente um grupo lhe diz o que fazer. Diz, sim, se você acertou ou errou no que fez. Algumas vezes, você tem que correr o risco de fazer – e só depois verificar o seu erro ou acerto."

 


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