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28 de Outubro de 2006 - 16h23 - Última modificação em 28 de Outubro de 2006 - 17h37


Lula diz que quer saber quem arquitetou dossiê e cita “laranja podre”

Bruno Bocchini e Priscilla Mazenotti
Repórteres da Agência Brasil

 
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São Bernardo do Campo (SP) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou hoje (28), em São Bernardo do Campo, a descoberta pela Polícia Federal de que um falso “laranja” foi usado para desviar as investigações sobre a origem do dinheiro utilizado para a compra do dossiê contra políticos tucanos. A trama teria o envolvimento da secretaria-geral do PSDB de Pouso Alegre (MG), a empresária Rosely Pantaleão.

“Vocês estão lembrado que eu digo sempre, desde o começo, que eu gostaria de saber quem foi o arquiteto que planejou isso (o dossiê), que deu o dinheiro”, disse o presidente. “Ontem, nós já vimos o que é o desespero político. Nós vimos uma pessoa do PSDB de Minas Gerais arrumar um laranja podre que fez um trabalho sujo e que foi desvendado em poucas horas, porque mentira tem perna curta”.

Ontem (27), a PF indiciou Luiz Armando Silvestre Ramos por falso testemunho. Em depoimento à PF, Ramos, sem apresentar provas, disse que emprestou sua conta bancária para movimentar parte do dinheiro apreendido na negociação do dossiê contra políticos do PSDB. Ele alegou que seria um "laranja" do esquema, que, na gíria policial, significa quem fornece seu nome para uma outra pessoa cometer um ato ilícito.

Ramos se apresentou à Polícia Federal com documentos falsos como Aguinaldo Henrique Delino, o nome de um padeiro que perdeu sua identidade e, segundo a PF, nem sabia que o envolviam no caso. A versão inicial de Ramos, cuja falsidade foi atestada pelas diligências da PF, era de que teria repassado R$ 250 mil ao ex-coordenador de comunicação da campanha do PT ao governo de São Paulo Hamilton Lacerda.

Essa linha de investigação da Polícia Federal era uma das hipóteses para identificar o dinheiro apreendido na negociação do dossiê com o empresário Luiz Antonio Trevisan Vedoin, acusado de chefiar as fraudes das ambulâncias. A PF também apura a participação da secretaria-executiva do PSDB de Pouso Alegre, que teria sido responsável por levar o falso “laranja” à polícia, com um vídeo que expunha a farsa.



 


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