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Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu fortalecido das
eleições. Apesar de algumas crises importantes enfrentadas a partir de 2005,
ele conseguiu se proteger politicamente e manter a rédea da condução do
governo, a despeito dos abalos sofridos. A avaliação é do cientista político do
Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj),
Fabiano Santos.
“Do ponto de vista eleitoral numérico, a vitória foi
consagradora e, do ponto de vista político, foi bastante contundente. Isso não
quer dizer que a tarefa se torna mais fácil, pelo contrário, há um desafio
importante de compor um governo mais equilibrado”, disse o cientista político
em entrevista ao Programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.
Segundo o professor, para conduzir bem um entendimento no
Congresso e não repetir erros recentes, é preciso costurar uma negociação com o
PMDB que não é fácil, na avaliação dele, e ainda partir para uma tarefa maior
que é a de reorganização e fortalecimento do PT.
Santos acredita que o partido não saiu totalmente quebrado
da eleição e teve um bom desempenho, mas também passou por um desgaste. “O Lula
vai terminar o mandato em 2010 e a proposta política tem que permanecer. A
política é feita não apenas de pessoas, mas fundamentalmente de instituições. O
legado institucional do Lula é o PT, então, a tarefa maior ao longo do processo
do ponto de vista político e institucional é a reconstrução do Partido dos
Trabalhadores”, comentou.
Para promover o entendimento com os partidos políticos, em
particular com o PMDB, o professor afirmou que será necessária uma ponderação
adequada do peso que cada um oferece para o governo no Congresso.
“Tem que estar expressa na participação desse partido no
ministério, seja no ponto de vista numérico, seja de importância dos
ministérios concedidos. Essa regra não foi seguida no primeiro mandato, com as
conseqüências que percebemos. Acho que agora isso vai ser objetivo, pelo menos
em uma tentativa”, analisou.
Santos entende que a definição da agenda política com prioridades
para o país depende de um entendimento entre os partidos e no interior do
próprio PT, mas ponderou que é necessário que embora não seja fácil é preciso
que o presidente Lula encare de frente essa tarefa. Quanto à reforma política o
cientista afirmou que envolve uma gama muito grande de variáveis e por isso é
preciso avaliar a amplitude do que se deseja adotar no país.
Sobre a perda de votos do candidato do PSDB, Geraldo
Alckmin, no segundo turno da eleição presidencial, ele disse que embora seja um
fato raro não é inédito na história recente do país. Para ele a candidatura da
oposição foi favorecida no fim do primeiro turno pelo noticiário sobre a
suposta compra por integrantes da campanha petista der um dossiê contra
políticos tucanos.
“Teve um noticiário muito pesado, foi um bombardeio em
quinze dias e a candidatura do PSDB foi inflada com esse episódio. Depois que
isso passou e a agenda normal da campanha voltou a dar o tom das eleições".
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