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1 de Novembro de 2006 - 15h48 - Última modificação em 1 de Novembro de 2006 - 15h57


Áreas prioritárias de conservação do bioma pampa sobem de cinco para mais de 50

Shirley Prestes
Repórter da Agência Brasil

 
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Porto Alegre - As áreas prioritárias de conservação no bioma pampa, inserido na Metade Sul gaúcha, vão passar de cinco para mais de 50. O aumento se deve ao trabalho de mapeamento “Dos Remanescentes do Pampa”, desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Com os resultados, que estão sendo discutidos nesta semana em Porto Alegre, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) vai dispor de informações mais detalhadas para apontar as áreas que são realmente mais importantes. 

Segundo o coordenador do Núcleo Mata Atlântica e Pampa no MMA, Wigold B. Schaffer, as primeiras áreas foram definidas com pequena participação de conhecedores da região. “A ministra Marina Silva resolveu dar atenção específica à região, separando-a do bioma Mata Atlântica, onde foi inserida inicialmente”, explicou Schaffer. Ele destacou, porém, que o aumento no número de áreas preservadas não significa aumento na área total a ser protegida. Ao contrário, o ajuste poderá diminuir o tamanho em termos de hectares, disse.

“Algumas pessoas podem olhar o Pampa gaúcho e dizer que é apenas campo, onde só tem grama, mas é uma área riquíssima, com mais de 3 mil plantas identificadas”, afirmou Schaffer. Além de dezenas de espécies de gramíneas, existem centenas de espécies de aves e de mamíferos na área. De acordo com o coordenador, muitos deles só ocorrem nesse tipo de ambiente, o que o torna extremamente importante para a manutenção do ciclo de vida na região e no planeta.

Há também vários rios importantes para o Rio Grande do Sul que nascem na região do Pampa, onde é expressiva a atividade agrícola, “nem sempre com o devido cuidado ambiental”. Eles necessitam da água, disse Schaffer. “Proteger a área onde estão as nascentes destes rios não vem em prejuízo, e sim a favor da agricultura e das demais atividades econômicas”, ressaltou.

Para Schaffer, a plantação de forma desordenada aumenta o risco de diminuir a quantidade de água. “Essa é a reclamação de vários municípios da região, onde a plantação de soja tomou conta de mais de 90% do território municipal. Quando pára de chover por uma semana , falta água até para o abastecimento doméstico”.   

O seminário regional Conservação e uso sustentável do Bioma Pampa, promovido pelo MMA, termina hoje (1º), em Porto Alegre. O evento reúne representantes dos governos federal, estadual e municipais, de universidades, do setor produtivo, de comunidades quilombolas e indígenas e de organizações não-governamentais (ONGs) do Rio Grande do Sul. O próximo seminário regional será em Florianópolis, de terça (7) ao dia 9, para atualizar as áreas prioritárias para  conservação, uso sustentável e repartição de benefícios da parte sul do bioma Mata Atlântica.

O objetivo do governo federal é definir as áreas prioritárias para conservação, utilização sustentável e repartição dos benefícios da biodiversidade. “A idéia é orientar e adequar as políticas públicas para chegar verdadeiramente a um desenvolvimento sustentável, que considere o econômico, o social e o ambiental”, afirmou Schaffer.

Depois do trabalho definido, o ministério deve reunir dados de todos os biomas – Pampa, Mata Atlântica, Cerrado, Pantanal, Caatinga, Amazônia e Zona Costeira e Marinha – para fazer os ajustes finais e apresentar os resultados. “Assim que estiver concluído, o trabalho, transformado em portaria ministerial, servirá de referência para todas as políticas públicas do setor” disse. O trabalho será disponibilizado na internet e distribuído aos governos estaduais, municipais e outros setores.

O bioma Pampa vai de São Borja, na fronteira oeste do Rio Grande do Sul, passando pela região central do estado, até a praia de Torres, no litoral norte. Abrange ainda a Campanha gaúcha, passando pela Lagoa dos Patos e Reserva do Taim, até o Chuí, no extremo sul do país.


 

 


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