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10 de Novembro de 2006 - 13h14 -
Última modificação
em 10 de Novembro de 2006 - 13h49
Idosos pagam por passagem de ônibus que deveria ser grátis
José Carlos Mattedi
Repórter da Agência Brasil
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Gervásio Baptista/ABr
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Brasília - Elita Xavier Gomes, 79 anos, tenta conseguir passagem de graça para o Tocantins na Estação Rodoferroviária de Brasília.
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Brasília - Revolta e desinformação na rodoviária
interestadual de Brasília (Rodoferroviária) na manhã de hoje (10). Idosos não
conseguiam retirar passagem grátis nos guichês de algumas empresas de
transporte, cujos funcionários alegavam que ainda não haviam recebido autorização.
Outros reclamavam que não sabiam do benefício, após gastar “o dinheiro que já é
pouco” na compra da passagem.
Ontem à noite, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região tomou
decisão que favorece os idosos, ao suspender a liminar que permitia a cobrança
integral das tarifas. Agora, volta a valer o que diz o Estatuto do Idoso.
As empresas de ônibus são obrigadas a ter dois assentos reservados para
passageiros com mais de 60 anos e que tenham renda mensal inferior a dois
salários mínimos (R$ 700) viajarem de graça em trajetos interestaduais. Se mais de duas pessoas apresentarem essas
condições, as demais têm direito a desconto de 50%.
O benefício entrou
em vigor no dia 25 de outubro e não
foi respeitado por todas as companhias. A liminar concedida à Associação
Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) vigorou
a partir do início de novembro, véspera do feriado prolongado, o que gerou
protestos dos passageiros.
Hoje, idosos carentes e familiares foram à rodoviária em busca de bilhetes e
informações. A Viação Itapemirim, a maior do país, já autorizou a emissão das
passagens grátis ou com desconto, segundo informou um dos seus funcionários que
não quis se identificar. Em outras empresas, como a Sertaneja e a
Transbrasiliana, vendedores alegam que ainda não foram orientados nesse
sentido.
As amigas e pensionistas mineiras Cândida Balbina, 62 anos, e Anésia Maria da
Guia Oliveira, 68, queriam retornar à cidade de Divinópilis (MG), após
visitarem amigos e parentes em
Brasília. As duas recebem menos de dois salários mínimos e
queriam economizar na passagem, que custa R$ 92,00.
“Tenho dois filhos aqui em
Brasília. Passo anos sem vê-los por falta de dinheiro. Agora
vou ter essa oportunidade de sempre visitá-los. As empresas estão resistindo em
dar a passagem. Mas vou conseguir, se Deus quiser”, disse Anésia, esperançosa.
Sua amiga reclama que não tem chance de viajar muito, por falta de dinheiro.
“Gasto quase tudo com remédio”.
Maria Gonçalves de Souza, 74 anos, acompanhada dos netos (um deles cego), não
conseguiu ganhar passagem para seguir com a família para Teresina, no Piauí.
“Recebo menos de dois salários mínimos. Uma pessoa como eu, nessa idade, não
estão querendo aceitar”, reclama.
O bilhete para a capital piauiense sai por R$175,00. “Seria uma economia boa.
Pelo menos a gente poderia lanchar pelo caminho”, balbuciou timidamente. Em
seguida, perguntou: “O Lula pode fazer alguma coisa?”.
A aposentada Elita Xavier Gomes, 79 anos, vem a Brasília todo mês para revisão
médica do marca-passo e para controlar o diabetes. Ela é de Arraias, no
Tocantins, a mais de 400
quilômetros da capital federal. São quase R$ 100 por
mês, no trajeto de ida e volta.
“Se conseguir essa passagem todo mês, servirá demais para mim. Mas como posso
fazer para ter os meus direitos? O que tenho que falar na empresa de ônibus
para ter minha passagem?”, pergunta Elita, que já havia pago sem saber que um
decreto lhe permitia viajar gratuitamente.
Os passageiros que se sentirem prejudicados podem reclamar por telefone ou pessoalmente.
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