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16 de Novembro de 2006 - 22h00 - Última modificação em 16 de Novembro de 2006 - 22h00


Encontro tenta construir integração latino-americana também pelo conhecimento

Lana Cristina
Repórter da Agência Brasil

 
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José Cruz/ABr
Brasília - A diretora da Unesco-Iesalc, Ana Lúcia Gazolla, fala durante o 1º encontro de Redes Universitárias Internacionais e dos Conselhos de Reitores da América Latina e Caribe.
Brasília - A diretora da Unesco-Iesalc, Ana Lúcia Gazolla, fala durante o 1º encontro de Redes Universitárias Internacionais e dos Conselhos de Reitores da América Latina e Caribe.
Brasília - Trinta e uma redes de universidades da América Latina e Caribe reúnem-se até sexta-feira (17), em Brasília, para discutir como integrar o continente também pelo conhecimento. “Essas redes já existem. O que nós da Unesco estamos fazendo é articular o trabalho das redes, dos conselhos de reitores, buscando uma integração através de projetos no campo da educação superior”, explicou Ana Lúcia Gazzola, diretora do Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e Caribe (Iesalc). O órgão, ligado à Organização das Nações Unidas para a Educação e a Cultura (Unesco), é responsável pelo encontro.

O encontro discute dois projetos para consolidar a integração educacional da América Latina. Ambos devem ser concluídos até até 2009, quando a Unesco realiza a Conferência Mundial de Educação. Um deles é um mapa comparativo dos sistemas de educação superior e o outro um estudo sobre as tendências do ensino superior da região. “Nós notamos uma inexistência de dados comparativos. O mapa vai tomar como unidade de análise as instituições, situando-as no contexto dos sistemas educacionais e nas relações possíveis entre eles”, disse Ana Lúcia. De acordo com a diretora do Iesalc, o mapeamento será importante para conhecer a realidade educacional de cada país e, assim, fortalecer a atuação das redes. O objetivo, conta Ana Lúcia, é que cada país ajude o outro naquilo que tem de melhor e receba ajuda em campo onde está deficiente.

Uma das conseqüências do fortalecimento das redes, na visão do ministro da Educação Fernando Haddad, que abriu hoje (16) o encontro das redes universitárias, é promover a integração do continente também em outras áreas. “Aprendemos muito a história do Brasil e quase nada sobre a história da América Latina e Caribe. Isso dificulta inclusive os projetos estratégicos na área de infra-estrutura. Uma iniciativa dessas potencializa a integração do continente. Sobretudo numa circunstância histórica em que a região busca cada vez mais integração, não apenas na área econômica”, observou Haddad.

O ministro enfatizou ainda que o ensino superior é estratégico para promover o crescimento econômico. “Nós nos esquecemos disso por um período. Mas o ensino superior é onde se forja a unidade nacional e regional. É onde o país se entende. É na universidade que se forja a identidade nacional, inclusive no que diz respeito às parcerias que se fazem com outros países”. Haddad disse ainda que é preciso resgatar o papel estratégico do ensino superior na condução de políticas para o desenvolvimento, sem deixar de incrementar a educação básica. “É preciso perceber que esses dois níveis se complementam de uma maneira indissociável. E, para que o país possa ter um futuro, precisamos integrar os dois níveis de ensino e fazer da educação superior uma variável estratégica do desenvolvimento nacional”, registrou.

O papel estratégico das universidades públicas para alcançar o desenvolvimento, aliás, já foi reconhecido pela Unesco, em 1998, em sua última Conferência Mundial de Educação, conforme lembrou o presidente da  Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes), Paulo Speller. “Quando analisamos a história dos países do hemisfério Norte, na Europa, na América do Norte, e mesmo em alguns países da Ásia, nós vemos que o padrão de vida que esses países atingiram hoje se deve, em boa medida, ao fato de que houve priorização das suas universidades, da educação superior, da pesquisa. Coisa que começaram a fazer de mil anos para cá”, destacou Speller.

Para o presidente da Andifes, o momento é de recuperar o atraso e investir mais em educação superior e também no fortalecimento de parcerias. “A nossa primeira universidade foi criada em 1920. O Brasil e a maioria dos países da América Latina entraram nesse processo de forma tardia. E então nosso esforço tem que ser muito maior, enquanto eles [os países desenvolvidos] têm uma rede constituída e um acesso garantido [à universidade] para uma boa parcela da população, nós temos que fazer ainda um grande esforço. E o Iesalc e a Unesco, nesse sentido, têm um papel muito importante”, observou.

Speller afirmou que a Andifes apóia o trabalho do Iesalc, no seu esforço de ajudar governos e universidades na implementação de políticas públicas na área da educação superior. Para ele, o principal desafio, como no caso do Brasil, é buscar formas de aumentar o acesso ao ensino superior. Aqui, há 4 milhões de universitários, o que significa 10% dos jovens de 18 a 24 anos de idade. Pelas metas do Plano Nacional de Educação, o Brasil tem que aumentar a taxa para 30%.


 


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