A experiência brasileira no controle da aids foi destaque no encerramento do encontro que discute formas de cooperação internacional para o combate e a prevenção da doença. A reunião, que começou segunda-feira (20), teve participação de 56 representantes de 21 países e terminou na manhã de hoje (22), em Brasília.

No encontro, o assessor-adjunto de Cooperação Externa do Programa Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde, Mauro Figueiredo, fez uma exposição sobre os trabalhos para conter o avanço da aids no país. Segundo ele, o Brasil conseguiu estabilizar a taxa de incidência do HIV (vírus transmissor da doença) em torno de 0,61% da população entre 15 e 49 anos, mesmo nível registrado em 2000.

O Ministério da Saúde estima que existam hoje 600 mil portadores do vírus no país, dos quais 371 mil são casos confirmados pelas autoridades médicas brasileiras. Desde 1980, quando foram diagnosticados os primeiros casos no mundo, 171,9 mil pessoas morreram em decorrência da doença no Brasil.

Para Figueiredo, o modelo brasileiro tem diferenciais que permitiram ao país controlar a expansão da aids. A participação da sociedade civil nos programas de combate e prevenção e a distribuição gratuita de medicamentos foram listadas por ele como pontos importantes para o desempenho do país nessa área.

Essas características chamaram a atenção da Organização das Nações Unidas (ONU). A representante do grupo de HIV/Aids do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas em Nova York, Lily Ohiorhenuan, elogiou a política brasileira. “A universalização do tratamento e a abertura para as ONGs [organizações não-governamentais] trabalharem em conjunto com o governo, sem dúvida, são experiências que têm de ser expandidas para outros países”.

Desde 1997, o país gastou R$ 12 bilhões no combate à doença. Desse total, cerca de R$ 7,5 bilhões foram usados na prevenção ao HIV e R$ 4,5 bilhões destinados para distribuir o coquetel de drogas utilizado no tratamento da doença. Segundo Figueiredo, 11% dos recursos são de programas do Banco Mundial e 89% vêm do Orçamento Geral da União.

“A experiência brasileira em relação à aids é uma prova de que o SUS [Sistema Único de Saúde] pode funcionar muito bem”, avalia o representante do Ministério da Saúde.