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22 de Novembro de 2006 - 21h40 -
Última modificação
em 22 de Novembro de 2006 - 21h40
Aos 60 anos, portadora de HIV fala de seu casamento para acabar com o preconceito
Monique Maia
Da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr/ABr
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Beatriz Pacheco, soropositiva e protagonista de um dos filmes, durante lançamento da campanha brasileira do Dia Mundial de Luta contra a Aids, comemorado em 1º de dezembro.
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Brasília - “Muitas pessoas acham que conviver com quem tem aids é perigoso. O risco acontece apenas na relação sexual desprotegida e isso tem que ficar muito claro. Meu marido não tinha o vírus e nós vivemos muito felizes durante dez anos, até ele falecer”.
O depoimento é de Beatriz Pacheco, advogada de 60 anos que é portadora do vírus HIV e uma das protagonistas da campanha de luta contra a aids lançada hoje (22) pelo Ministério da Saúde. O outro é o ator e escritor Cazu Barroz, de 34.
Com o slogan “A vida é mais forte que a aids”, a campanha pretende explicar as formas de prevenção e transmissão da doença. Mas o objetivo principal é combater o preconceito e a discriminação. O material publicitário deve ser divulgado até 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids.
Beatriz Pacheco é soropositiva há nove anos, desde os 51. De acordo com uma pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde, há uma tendência de crescimento da doença entre pessoas com mais de 50 anos. As principais causas são o aumento da atividade sexual, incentivado por medicamentos, e a resistência em usar preservativos.
O ator e escritor Cazu Barroz é soropositivo há 17 anos. Segundo ele, o preconceito está presente na maioria das vezes no ambiente de trabalho e na escola. “O medo de perder o emprego ou a vaga na escola estão entre as maiores dificuldades para as pessoas assumirem publicamente que têm o vírus. Desta forma, acho que essa campanha pode sensibilizar empresários e diretores de escola”.
Para o ministro da Saúde, Agenor Álvares, é preciso não só combater a aids e estimular a prevenção, mas agir junto à sociedade para o fim do preconceito. “Chegamos a um ponto em que temos de trabalhar não com as pessoas portadoras da doença, mas com as que estão em volta delas. Queremos ações das pessoas, que dêem oportunidade de emprego, por exemplo. É disso que precisamos”.
No Brasil, existem cerca de 600 mil pessoas infectadas pelo vírus da aids, sendo que a contaminação atinge em grande parte mulheres, negros e idosos.
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