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São Paulo - Pela primeira vez no histórico da Justiça
paulista, foi protocolada uma ação civil indenizatória contra o governo
do estado, por tortura a um interno na Fundação Estadual do
Bem-Estar do Menor (Febem-SP). A ação é movida pela Conectas,
organização não-governamental de defesa dos direitos humanos, que
avalia em dez a 20 anos o prazo para trâmite do julgamento.
A ação foi protocolada ontem (22) no Fórum da Fazenda
Publica do estado e, segundo o advogado da Conectas, Humberto Negrão,
pede indenizações no valor de 1.500 salários mínimos por danos morais e
físicos causados ao interno Flávio Ricardo Freitas de Jesus. Ele teria
sido agredido no dia 9 de março deste ano, na Unidade 23 do Complexo do
Tatuapé.
Segundo a assessoria de
imprensa da Febem-SP, o caso foi encaminhado pela própria direção da
fundação à sua Corregedoria, que abriu sindicância interna para apurar
os fatos e ainda não concluiu os trabalhos.
“Sobre
casos de tortura na Febem-SP já houve funcionários condenados
criminalmente e administrativamente. Mas civilmente, isso nunca
aconteceu. E nós, que trabalhamos com crianças, não temos notícia de
nenhuma outra ação desse tipo. A importância de mover a ação no âmbito
civil é que ela procura responsabilizar o estado pelo dano que
causou. No âmbito criminal, responsabiliza-se o agente. O que se
procura é buscar o caráter pedagógico”, explicou Negrão.
Para
ele, a reparação indenizatória também é importante, mas é secundária
tanto para a entidade quanto para a família. Negrão informou que o
trâmite médio de avaliação da ação no Fórum da Fazenda Pública é de
dois anos. Se julgada procedente, a ação é então enviada para o
Tribunal de Justiça, onde o trâmite é de cerca de quatro anos. E em
seguida poderá ser encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça.
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