A
Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais
(Abepec) é a mais tradicional associação do campo público de televisão.
Reúne 19 emissoras abertas, de caráter público, educativo e cultural,
em todo o país. Dela fazem parte emissoras reconhecidas pela sociedade,
premiadas no país e no exterior, e que produzem uma programação de
qualidade, como a TV Cultura, de São Paulo, a TVE, do Rio de Janeiro e
a Rede Minas, de Minas Gerais.
As associadas da Abepec participarão do do 1º Fórum Brasileiro de TVs Públicas (leia manifesto),
convocado pelo Ministério da Cultura, em parceria com a Radiobrás e a
TVE Brasil, e apoio do Gabinete da Presidência da República e da Casa
Civil (saiba mais sobre o Fórum).
Nesta entrevista, o presidente da entidade e do Conselho da TV Cultura,
Jorge da Cunha Lima, avalia que a idéia do fórum é muito feliz.
De
terça a hoje (24), a Agência Brasil ofereceu entrevistas com todos os
presidentes das associações envolvidas no Fórum de TVs Públicas, cuja
etapa final ocorre em fevereiro de 2007. No primeiro dia, ouvimos a Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral). Na quarta, a representação das emissoras comunitárias e ontem foi a vez da Associação Brasileira de Televisões Universitárias (ABTU).
Agência Brasil: Qual a opinião da Abepec sobre a idéia do Ministério de fazer um fórum de integração das TVs públicas?
Jorge da Cunha Lima:
É uma idéia muito feliz porque a televisão pública tem sobrevivido por
conta própria, num esforço monumental e tem que definir um
relacionamento mais profundo com o poder público. A primeira
necessidade é que o poder público entenda o que é e a importância da TV
pública.
ABr: Quais os problemas das TVs públicas?
Jorge Lima:
O primeiro é tecnológico. Estamos vivendo a fase de transição do
sistema analógico para o digital. Isso implica que toda a produção e a
transmissão sejam digitais. O que exige recursos de mão de obra,
tecnológicos e equipamentos. O segundo grande problema é que para serem
públicas precisam ter independência política e administrativa. O
governo paga a conta, mas não pode mandar. Quem tem que mandar são
conselhos representativos da sociedade. Outra questão é a programação.
Ao contrário das privadas, não é definida pela questão comercial e
audiência, mas pela necessidade da sociedade de um tipo de programação
educativa, cultural, informativa e infantil. A oferta é o nosso
problema e não a demanda.
ABr: As TVs hoje têm como gerar conteúdo para ter uma programação completa e virar um canal digital?
Jorge Lima:
Não tem, mas tem que ter. As comerciais vão arranjar um BNDES e nós
temos que arranjar um BNDES a fundo perdido. Mas não é só uma questão
de produzir. É importante que a população tenha a possibilidade de
comprar a televisão digital.