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24 de Novembro de 2006 - 20h56 - Última modificação em 24 de Novembro de 2006 - 20h57


Entrevista 1 - TV pública tem “sobrevivido por conta própria”, diz presidente da Abepec

Alessandra Bastos
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec) é a mais tradicional associação do campo público de televisão. Reúne 19 emissoras abertas, de caráter público, educativo e cultural, em todo o país. Dela fazem parte emissoras reconhecidas pela sociedade, premiadas no país e no exterior, e que produzem uma programação de qualidade, como a TV Cultura, de São Paulo, a TVE, do Rio de Janeiro e a Rede Minas, de Minas Gerais.

As associadas da Abepec participarão do do 1º Fórum Brasileiro de TVs Públicas (leia manifesto), convocado pelo Ministério da Cultura, em parceria com a Radiobrás e a TVE Brasil, e apoio do Gabinete da Presidência da República e da Casa Civil (saiba mais sobre o Fórum). Nesta entrevista, o presidente da entidade e do Conselho da TV Cultura, Jorge da Cunha Lima, avalia que a idéia do fórum é muito feliz.

De terça a hoje (24), a Agência Brasil ofereceu entrevistas com todos os presidentes das associações envolvidas no Fórum de TVs Públicas, cuja etapa final ocorre em fevereiro de 2007. No primeiro dia, ouvimos a Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral). Na quarta, a representação das emissoras comunitárias e ontem foi a vez da Associação Brasileira de Televisões Universitárias (ABTU).

Agência Brasil: Qual a opinião da Abepec sobre a idéia do Ministério de fazer um fórum de integração das TVs públicas?
Jorge da Cunha Lima: É uma idéia muito feliz porque a televisão pública tem sobrevivido por conta própria, num esforço monumental e tem que definir um relacionamento mais profundo com o poder público. A primeira necessidade é que o poder público entenda o que é e a importância da TV pública.

ABr: Quais os problemas das TVs públicas?
Jorge Lima: O primeiro é tecnológico. Estamos vivendo a fase de transição do sistema analógico para o digital. Isso implica que toda a produção e a transmissão sejam digitais. O que exige recursos de mão de obra, tecnológicos e equipamentos. O segundo grande problema é que para serem públicas precisam ter independência política e administrativa. O governo paga a conta, mas não pode mandar. Quem tem que mandar são conselhos representativos da sociedade. Outra questão é a programação. Ao contrário das privadas, não é definida pela questão comercial e audiência, mas pela necessidade da sociedade de um tipo de programação educativa, cultural, informativa e infantil. A oferta é o nosso problema e não a demanda.

ABr: As TVs hoje têm como gerar conteúdo para ter uma programação completa e virar um canal digital?
Jorge Lima: Não tem, mas tem que ter. As comerciais vão arranjar um BNDES e nós temos que arranjar um BNDES a fundo perdido. Mas não é só uma questão de produzir. É importante que a população tenha a possibilidade de comprar a televisão digital.



 


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