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Rio de Janeiro - A
maioria dos municípios brasileiros não tem encaminhamento adequado para
o atendimento de saúde das pessoas com deficiência. A afirmação foi
feita hoje (1º) pela coordenadora da Área Técnica de Saúde da Pessoa
com Deficiência do Ministério da Saúde, Sheila Miranda da Silva, na
abertura do 3° Encontro Nacional de Coordenadores Estaduais e
Municipais de Saúde da Pessoa com Deficiência. Durante
o encontro, técnicos do ministério e coordenadores dos serviços
estaduais e municipais de atendimento à pessoa com deficiência estão
discutindo estratégias para fortalecimento da Política Nacional de
Saúde da Pessoa com Deficiência. Em entrevista à Agência Brasil,
Sheila Miranda disse que o principal desafio é “regular a assistência”.
Por isso, o foco do encontro está na estruturação dos fluxos de
atendimento que permitam melhorar o encaminhamento das pessoas com
deficiência aos serviços de saúde. “Alguns
estados têm essa regulação, essa referência, esse encaminhamento de
forma adequada, mas, na maioria deles, as pessoas com deficiência ainda
esperam um tempo razoável para sua reabilitação. Há um hiato entre o
momento em que a pessoa procura o serviço de saúde e o momento em que
passa a receber atendimento específico, e isso leva a um agravamento
das suas deformidades, da sua recuperação”, alertou Sheila Miranda. Como
exemplo, citou o estado do Rio de Janeiro, que, segundo ela, apresenta
um dos piores quadros em relação ao problema. Casos freqüentes são os
de traumatizados, vítimas de acidentes, por exemplo, que demoram tanto
para ser encaminhados à reabilitação que acabam adquirindo
seqüelas. Outro desafio é a
falta de investimento de estados e municípios. De acordo com Sheila,
90% dos estados e municípios não destinam recursos próprios ao
atendimento das pessoas com deficiência, contando apenas com as verbas
federais, que somam cerca de R$ 1,2 milhão por ano em todo o país. Além
de questões financeiras, faltam profissionais. Ela ressaltou que,
embora as diretrizes partam do ministério, a implementação da Política
Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência, depende da parceria com as
gestões locais.
Sheila Miranda
ressaltou que, apesar das dificuldades, houve um avanço significativo
desde a criação da política, em 2002. Onde se avançou de forma bem
extensa foi na implementação da rede de reabilitação, principalmente na
região Nordeste, disse Sheila. "Neste governo atual se aumentou mais de
200% a rede.” A rede de reabilitação
é composta hoje por cerca de 300 unidades de serviços de saúde que
atendem pessoas com deficiência física, auditiva e mental. Outras
210 unidades estão em fase de implementação (construção de prédios e
compra de equipamentos) e devem estar em funcionamento até o final de
2007. A maior parte delas é na área de reabilitação física, cuja
demanda é maior do que nas outras. Para a
presidente regional da Associação Brasileira de Síndrome
Pós-Poliomielite, Solane Carvalho, o atendimento à pessoa com
deficiência ainda é extremamente precário. A informação ainda não chega
e ainda não se dispõe dos suportes necessários, como órteses e
próteses, por exemplo, disse ela. "Os centros de reabilitação ainda são
poucos e existem milhões de pessoas que estão em casa sem atendimento.
Os centros não conseguem acolher estes pacientes e, quando acolhem,
eles precisam de suportes e equipamentos que não estão disponíveis, o
que continua discriminando, deixando o deficiente dentro de casa”. Solane,
que sofreu poliomielite, destacou também a dificuldade de obter
suportes adequados à necessidade dos diferentes tipos de paciente. “Por
exemplo, o SUS [Sistema Único de Saúde] libera cadeira de rodas,
mas em um tamanho padrão. Não considera que você tem uma medida que não
é igual à do outro. Os pais, por exemplo, não encontram cadeiras
específicas para seus filhos, para a criança com deficiência”. Ela
dosse que a incapacidade do poder público de oferecer equipamentos para
pessoas com deficiência, principalmente as mais pobres, contribui para
a exclusão social. “Se a pessoa precisa usar um aparelho ortopédico,
não tem condição de adquirir, e o estado não dá, o que ela vai fazer?
Se arrastar pelo chão? A gente vê casos como esse pelas ruas, mas isso
desagrega, isso exclui. Essa pessoa não ingressa no mercado de
trabalho, não tem lazer, educação, não vai para a escola”. Solane
Carvalho ressaltou que não basta distribuir equipamentos: "É preciso
atentar para sua qualidade, para as especificidades a serem atendidas e
também para o acompanhamento necessário ao seu uso “. De acordo com o Censo de 2000 do IBGE, 14,5% dos brasileiros têm algum tipo de deficiência ou incapacidade. O
3° Encontro Nacional de Coordenadores Estaduais e Municipais de Saúde
da Pessoa com Deficiência termina domingo (3) com uma caminhada na orla
de Copacabana, em comemoração ao Dia internacional da Pessoa com
Deficiência estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). Os
organizadores esperam mais de 10 mil participantes entre pessoas com
deficiência, artistas, representantes da igreja e de organizações
não-governamentais.
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