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Brasília -
Quase 80% dos municípios brasileiros com mais de 20 mil habitantes ou que
fazem parte de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas cumpriram o prazo
para a elaboração do plano diretor, encerrado em 10 de outubro. Desses, 1.130
projetos foram concluídos. O balanço foi apresentado hoje (12) pela secretária nacional
de Planejamento Urbano do Ministério das Cidades, Raquel Rolnik, em entrevista
à Agência Brasil.
De acordo com Rolnik, outros 196 planos estão em fase final de elaboração
pelas prefeituras e devem ser enviados nos próximos dias às câmaras municipais,
que precisam aprová-los, e em 296 municípios o processo de discussão dos
projetos está em andamento. Com isso, apenas 60 municípios não devem definir o
plano diretor, o que representa menos de 4% do total de cidades que deveriam
aprovar o projeto.
“É um êxito absoluto, e o interessante é que isso se repete em todo o país,
não está concentrado numa só região”, avaliou Rolnik. Segundo a secretária, uma
das exigências foi que o processo contasse com a participação popular. De
acordo com ela, o desafio agora é implementar os projetos definidos em cada
localidade. “O ministério também vai ter que trabalhar nessa direção”, disse.
No total, segundo Rolnik, 1.682 municípios deveriam elaborar ou rever o
plano diretor, instrumento importante para planejar o crescimento das cidades,
levando em conta o desenvolvimento sustentável. Pelo Estatuto da Cidade,
instituído pela Lei 10.257, de 2.001, os prefeitos que não providenciaram o
projeto podem responder pelo crime de improbidade administrativa.
Para a secretária, essa análise deverá considerar o perfil de cada
município. Na maioria dos casos, são cidades pequenas, com população entre 20
mil e 50 mil habitantes, e que enfrentaram problemas como falta de recursos
financeiros e de técnicos especializados para atender a obrigatoriedade,
explicou Rolnik.
“Não fizemos uma análise caso a caso, mas eu posso afirmar que a grande
maioria tem esse perfil”, ela disse. “Nunca aconteceu planejamento urbano no
Brasil, é a primeira vez, então as dificuldades são absolutamente recorrentes e
normais”, acrescentou a secretária, ao defender que, mesmo com o fim do prazo,
esses municípios não deixem de elaborar seus projetos.
De acordo com Raquel Rolnik, o levantamento sobre os municípios que fizeram
o plano diretor traz resultados apenas quantitativos. Segundo ela, o ministério
iniciou um estudo para analisar os aspectos qualitativos, como conteúdo do
projeto e processo de elaboração, que inclui a participação social.
A secretária destacou ainda que os planos diretores poderão ajudar os
municípios a elaborar planos de habitação, de saneamento e de mobilidade
urbana. “São três planos setoriais que vão usar o plano diretor como base de
informações e de discussão e que vão transformar as diretrizes gerais do plano
diretor em investimento concreto nessas três áreas”.
A discussão sobre os planos diretores é um dos pontos da programação da 7ª
Conferência das Cidades, que começa hoje e vai até quinta-feira (14), em
Brasília. Promovido pela Comissão de Desenvolvimento Urbano, da Câmara dos
Deputados, o encontro tem como tema “Cinco anos de vigência do Estatuto da
Cidade – conteúdo, balanço e desafios”. Na conferência, municípios que se
destacaram na gestão urbana receberão o Selo Cidade Cidadã.
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