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Rio de Janeiro - O Conselho Científico Brasil/Índia, reunido hoje
em Bangalore, na Índia, aprovou a realização de uma grade de
atividades bilaterais que serão iniciadas em fevereiro de 2007, com
seminários no Brasil e na Índia associados à questão da nanotecnologia (termo utilizado para um conjunto de diversas tecnologias que possibilita a criação de produtos em escala microscópica).
O
chefe da delegação brasileira no encontro, professor Jacob Palis Jr.,
também vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), disse, em entrevista à Agência Brasil, que outro tópico definido na reunião
foi a realização de uma chamada para projetos de pesquisa em áreas
consideradas prioritárias para ambos os países. Entre elas, Palis
citou as ciências da computação, ciência dos materiais, matemática e
física, química, biotecnologia,
bioenergia, oceanografia e epidemiologia. “Uma das coisas mais importantes que foi acordada é
que não só vai haver um intercâmbio de pesquisadores, mas com
projetos de pesquisa conjuntos e formação de pessoal, sobretudo de
jovens cientistas”, diz o
assessor de Relações Internacionais da ABC, professor Paulo de Góes. Góes diz que os pesquisadores do Brasil estão mais avançados do
que os indianos em áreas como bioenergia, em especial energias
renováveis, e matemática. Na bioenergia, o Brasil, que é o
primeiro produtor mundial de açúcar, tem muito a contribuir com a
Índia, segunda colocada no ranking, indica ele. “Os indianos
estão interessadíssimos na nossa tecnologia de etanol, que é baseada em
cana-de-açúcar”, afirmou Góes. Ele lembrou que, em contrapartida, a
Índia tem uma experiência maior do que a do Brasil em áreas como
ciências da computação e oceanografia.
O
aprofundamento do intercâmbio científico bilateral pode auxiliar também
na questão comercial, uma vez que os dois países são grandes produtores
de frutas tropicais, observa Góes. “Portanto, é importante
para o Brasil e Índia desenvolverem o seqüenciamento de genomas
de certas pragas que impedem a exportação para os mercados do Norte de produtos como manga, jaca e goiaba para atingir
mercados que não foram ainda disputados, fazendo um processo de
colaboração integrado.” O intercâmbio entre cientistas dos
dois países conta com apoio recebido dos ministérios da
Ciência e Tecnologia, Saúde e Desenvolvimento, Indústria e
Comércio Exterior.
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