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Brasília - A Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência foi aprovada nesta semana pela Assembléia Geral da
Organização das Nações Unidas (ONU). A convenção, que teve ampla
participação do Brasil, reconhece e garante os direitos das pessoas com
deficiência. Além disso, proíbe a discriminação em todos os aspectos da
vida, como educação, saúde, acesso à justiça e ao transporte. Entre
os direitos assegurados nos 40 artigos do documento destacam-se a
garantia de autonomia e o protagonismo das pessoas com deficiência na
discussão das políticas públicas a elas relacionadas. O texto defende
ainda a garantia de condições de acessibilidade como equipamentos que
facilitem o dia-a-dia das pessoas deficientes. Capítulos específicos
tratam de trabalho e da participação das pessoas com deficiência na
vida política. Ainda hoje há países onde o deficiente não participa
como eleitor, assim como não pode concorrer a cargo eletivo. De
acordo com a coordenadora nacional de Políticas de Integração da Pessoa
com Deficiência (Corde), Izabel Maior, a convenção tem um sentido amplo
por ser um tratado sobre direitos humanos que adota o modelo inclusivo
no tratamento às deficiências. Segundo ela, pelo modelo da inclusão, os
portadores de deficiência não precisam deixar de ser pessoas com
deficiência para serem cidadãs. A partir de 30 de março do
próximo ano, os 192 países membros da ONU serão convidados a ratificar
o texto. Assim que o documento for ratificado por 20 países, a
convenção entra em vigor. A adesão de 40 países garante que seja
formado um comitê de monitoramento para acompanhar a efetividade das
ações pelos países. A coordenadora da Corde acredita que ainda
em 2007 o Brasil ratificará o documento, que deve ser recebido pelo
Ministério das Relações Exteriores, seguir para Câmara e o Senado e,
por fim, passar pelo presidente da República para promulgação. “A
convenção não fere nenhum dos dispositivos da legislação brasileira.
Acreditamos que talvez até o primeiro semestre de 2007 seja suficiente
para a conclusão do processo no Brasil”. A convenção pode ser adotada
no Brasil como lei ou dispositivo constitucional, dependendo do quórum
de aprovação no Legislativo. Estima-se que cerca 650
milhões de pessoas em todo o mundo tenham algum tipo de deficiência, o
que corresponde a aproximadamente 10% da população mundial. No Brasil,
são 24,5 milhões de pessoas, de acordo com dados do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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