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Brasília - Aumentar a fiscalização sobre o cadastro do Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil (Peti) para identificar famílias que recebem o
benefício indevidamente é um dos principais pontos da carta aberta à
sociedade, divulgada durante o 2° Encontro de Crianças e Adolescentes
Trabalhadores Domésticos do Recife – por um Brasil sem Trabalho
Infantil Doméstico. Realizado nesse sábado (16), o evento reuniu cerca
de 120 crianças e adolescentes, que discutiram estratégias para cobrar
do poder público ações previstas no Plano Municipal de Erradicação do
Trabalho Infantil.
A carta reflete as preocupações e anseios
dos participantes do encontro, a maior parte meninos e meninas que
deixaram o trabalho em casas de famílias para ingressar no Peti. As
sugestões farão parte do relatório final sobre o seminário, organizado
pelo Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec).
Segundo
o coordenador do Programa dos Direitos da Criança e do Adolescente do
Cendhec, Renato Pinto, a idéia é encaminhar o documento principalmente
a autoridades municipais, mas também aos ministérios do Desenvolvimento
Social e Combate à Fome e do Trabalho e Emprego, à Secretaria Especial
dos Direitos Humanos da Presidência da República e ao Congresso
Nacional.
De acordo com o coordenador, não há dados concretos
sobre o número de famílias que recebem o benefício indevidamente na
capital pernambucana. “As crianças e adolescentes colocaram isso muito
com base no senso comum, na visão que eles têm do problema, ao verem em
suas comunidades algumas pessoas recebendo os benefícios do programa
sem precisar e outras que precisam sem ter acesso ao benefício”.
Renato
Pinto disse que na carta as crianças e adolescentes também pedem a
diversificação das atividades desenvolvidas durante a jornada ampliada,
ou seja, no turno complementar ao da escola, como forma de prevenir o
retorno ao trabalho infantil. A participação nessas atividades é uma
das condições para que a família continue recebendo o benefício. “Não
há variação das atividades, elas se resumem a desenho, conversa com
orientadores nos núcleos. Para as crianças, isso é muito
desestimulante, elas acham que deveria haver atividades mais lúdicas,
ligadas ao lazer, ao esporte, à cultura”, destacou. Segundo ele, o
governo federal repassa ao município um valor mensal de R$ 20 per
capita para a promoção da jornada ampliada. Dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o trabalho infantil aumentou
no país. Entre 2004 e 2005, o número de crianças e jovens que
trabalhavam passou de 5,3 milhões para 5,45 milhões, sendo que mais de
43% concentram-se nos estados do Nordeste.
“Esses dados
preocupam muito, é preciso, inclusive, ter uma visão de desenvolvimento
regional para fazer com que o Nordeste consiga superar essas
dificuldades”, defendeu o coordenador. O levantamento do IBGE também
aponta o crescimento do trabalho infantil doméstico: em 2005, 404 mil
crianças e adolescentes se encontravam nessa situação em todo o país,
contra 403 mil em 2004.
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