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Brasília -
No Brasil existem cerca de 3.500 comunidades quilombolas, descendentes
diretos dos escravos africanos trazidos para o país pelos colonizadores
portugueses. Muitas dessas comunidades não dispõem de escolas nem de
atendimento médico. Os quilombolas vivem basicamente da pesca e da agricultura
de subsistência.
Os dados foram levantados pelo professor de direito ambiental da Universidade Federal do
Pará Girolamo Donenico Treccani, que durante vários anos estudou essas
comunidades e seu modo de vida. Para ele, a luta dos quilombolas mudou de foco.
“Antes os escravos fugidos lutavam pela liberdade, formando os primeiros
quilombos. Hoje a luta é pelo reconhecimento, pela recuperação da identidade
cultural e pela pose das terras onde vivem”.
Treccani também é autor do livro Terras de Quilombo, que descreve a
história dessas comunidades e retrata as dificuldades atuais dessa gente. Para
ele, a burocracia também é uma barreira que dificulta a luta dos
quilombolas.
O processo de titulação ou reconhecimento de posse de terras dos quilombolas
começa com o reconhecimento pela Fundação Palmares, órgão ligado ao Ministério
da Cultura.
Em seguida, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)
inicia um processo de posse de terra. Nessa fase, o tempo depende da situação
de casa quilombo. Se a comunidade estiver formada em terra particular o
processo é de desapropriação de terras e não apenas de titulação.
O coordenador geral de reconhecimento de territórios de quilombos do Incra,
Rui Leandro da Silva, concorda que a Justiça é demorada, mas diz que isso está
previsto em lei. De acordo com a Fundação Palmares existem 1.002 comunidades
quilombolas reconhecidas no Brasil, das quais apenas 82 têm a posse da terra. O
último estudo oficial feito pelo governo é de 1999.
A Constituição de 1988 prevê, no Artigo 68, o reconhecimento, a delimitação e
a titulação das terras dos quilombolas, mas muitas dessas comunidades estão em
área particular ou simplesmente não foram mapeados pelo Estado brasileiro.
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