|
Brasília - De olho no fim do prazo para aprovar o plano diretor (10 de outubro
de 2006), prefeitos de municípios compraram o planejamento pronto de
empresas especializadas brasileiras ou chegaram a copiar projetos de
outras cidades. As denúncias chegaram ao Ministério das Cidades por
meio de entidades da sociedade civil e do Ministério Público, segundo o
diretor de Planejamento Urbano da Secretaria Nacional de Programas
Urbanos, Benny Schasberg.
O plano diretor deve definir qual é
a melhor função social de cada pedaço da cidade, de acordo com as
necessidades e especificidades econômicas, culturais, ambientais e
sociais. Schasberg lembrou que uma das orientações para a construção
desses projetos é justamente a participação da comunidade, por meio de
audiências públicas nos bairros, por exemplo.
Sem detalhar
casos, o diretor afirmou que a prática de cópia e de compra
“infelizmente é muito disseminada no Brasil”, não só de planos
diretores, mas também de estudos em outras áreas. “Existem aqueles
prefeitos que premidos pela circunstância de ter de aprovar um plano -
plurianual, de estudo ambiental ou um plano diretor - acabam comprando
um plano e também, inescrupulosamente um plano copiado, que não foi
feito dentro de um processo com qualidade técnica, participativa”.
No
total, 1.682 municípios brasileiros com população acima de 20 mil
habitantes ou integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações
urbanas precisavam elaborar ou rever os seus planos diretores, conforme
determina o Estatuto da Cidade (Lei 10.257 de 2001). Schasberg disse
que ainda não há como precisar o número de prefeituras que compraram ou
copiaram os planos.
Segundo ele, o ministério deve concluir
até março levantamento sobre o conteúdo e sobre os processos de
elaboração dos planos diretores, o que poderá indicar as prefeituras
que adotaram essas práticas. A pesquisa será feita nos 1.682 municípios
que tinham de aprovar os projetos, em parceria com os conselhos
regionais de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Creas).
O
diretor também preferiu não citar, por enquanto, cidades onde os
problemas ocorreram. “Prefiro falar de bons casos, de boas práticas.
Esse tipo de situação nós tentamos coibir, o que estimulamos são
práticas positivas, de processos participativos, de planos que tenham
qualidade, conteúdo adequado”, reforçou.
Ao ser questionado
sobre as providências que o ministério poderia adotar em caso de
confirmação de cópia ou de compra de planos diretores, Schasberg disse
que a pasta não “tem papel de polícia”.
“O papel do
Ministério das Cidades não é policial, é um papel de ter uma política
de apoio aos municípios”. Segundo ele, nesses casos a sociedade civil
deve recorrer ao Ministério Público, para que acione o prefeito na
justiça.
“A nossa recomendação nesses casos é que a sociedade
não aceite, que a sociedade se mobilize e recuse esse tipo de
procedimento. E o Ministério Público tem sido um parceiro importante no
sentido de acatar representações e denúncias de que o plano é uma
cópia”.
|