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Brasília - Índios guarani-kaiowá da comunidade Taquaperi fizeram um protesto hoje na rodovia MS-389, que
liga os municípios de Amambaí e Coronel Sapucaia, no sudoeste do Mato Grosso do Sul. Eles reivindicam o
direito de enterrar a índia Zulita Lopes, de 70 anos,
na terra onde ela foi morta, no interior da fazenda Madama. O assassinato de Zulita, também conhecida como Kurutê, ocorreu na última segunda-feira (8). Um grupo armado obrigou os índios a desocupar a fazenda, onde 50 famílias haviam entrado no sábado (6). Um outro índio foi ferido com três tiros na perna. A terra da fazenda Madama é denominada pelos índios de tekoha (terra tradicional) Kurusu Amba. A kaiowá Valdelice Veron, uma das organizadoras do protesto e integrante
da Comissão de Direitos Indígenas do Mato Grosso do Sul, disse, por telefone, à Agência Brasil, que, mesmo
com medo de que haja mais um confronto armado durante o enterro, os
índios não abrem mão do ritual. “Nós vamos fazer o enterro na fazenda,
com ou sem autorização da Justiça. Estamos esperando pela Justiça, mas
vamos fazer o enterro”, disse.
Valdelice é filha de um outro kaiowá morto, o líder Marcos Verón, assassinado em 2003 por seguranças de uma fazenda em Juti (MS). Ela afirma que mais de 2.600
índios já estão no local do protesto e responsabiliza os fazendeiros da região pelo assassinato. “Os mandantes foram os
administradores da fazenda. Porque eles queriam expulsar os índios.” Para realizar o enterro, os índios ainda aguardam pela autorização da Justiça, solicitada pelo
Ministério Público Federal (MPF) de Dourados.
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