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Brasília - O desmoronamento nas obras da Estação Pinheiros do metrô em São
Paulo poderia ter sido evitado, se o cuidado com o manejo do solo
tivesse sido intensificado. A afirmação foi feita hoje (15) pelo
professor de engenharia civil da Universidade de Brasília (UnB) Dickran Berberian, especialista em estrutura de construções.
Ele informou que apesar da complexidade das obras em solos úmidos, como o das
margens do Rio Pinheiros, o solo certamente deve ter dado sinais de que
cederia. “É como num câncer em que os sintomas aparecem antes”, comparou.
O professor salientou, porém, que para avaliar se
houve negligência das construtoras é preciso saber de que maneira foi
feita a verificação do solo. Conforme Berberian, o procedimento em solos
normais deve ocorrer a cada 15 metros de túneis. “Para áreas de solo
de várzea e delicados, como as proximidades do Rio Pinheiros, a
verificação precisa ser feita em intervalos ainda menores, mas esse
limite depende de cada caso”, disse.
A existência de trincas nos túneis da linha 4, segundo o especialista, deve ter
sido um indício de que algo estava para ocorrer. No entanto, ressaltou, nesse caso a velocidade das fissuras deve ser maior que 60
milésimos de milímetros por dia. O professor apontou duas
explicações prováveis para o desmoronamento. Pela primeira hipótese, o
volume de chuvas que caiu na capital paulista saturou o solo mole da
região: “Além
de quebrar o cimento natural do solo, a água preenche os poros entre as
partículas e torna o solo mais pesado”.
O solo compactado, acrescentou, deve ter aumentado a pressão
sobre o concreto que fazia a contenção das paredes da cratera de 40
metros de largura e 38 metros de profundidade, usada para a passagem de
operários e máquinas.
Além da saturação do solo, a circulação de
água pode, de acordo com Berberian, ter provocado outro problema: a
formação de rios subterrâneos que contribuíram para fragilizar ainda
mais o subsolo das imediações da obra. “Nesses casos, a água carrega
material e os poros, aos poucos, viram crateras”, informou.
Em
situações extremas, explicou, formam-se cavernas que, em algum momento,
não suportam o peso das construções e desmoronam. O problema poderia ser detectado, acrescentou, se estivesse saindo água
suja das rachaduras nos túneis da linha 4: “Esse é um sinal de que
partículas do solo estavam sendo carregadas”.
Para Berberian, apesar da
complexidade da obra, a linha 4 do metrô
não deveria passar por outro terreno. “A construção pode ser executada na área, desde que com mais cuidado. A maior prova disso é que conseguiram abrir um buraco de
40 metros de diâmetro no local", completou.
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