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Brasília - Pesquisa realizada pela bióloga
Alessandra Laranja e pela professora Hermione Bicudo, do Instituto de
Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp), aponta que a borra de café (o pó que fica após a passagem da água fervente) pode matar o mosquito Aedes
aegypti, transmissor da dengue.
A pesquisa teve início a
partir da descoberta de que a cafeína, uma das substâncias tóxicas encontradas
no café, causa problemas na reprodução da mosca drosófila, mais conhecida
como "mosca da fruta".
Os pesquisadores decidiram, então, fazer o teste
em larvas do Aedes Aegypti. E a experiência deu certo. Hermione Bicudo explica: "A cafeína não deixa a larva prosseguir no desenvolvimento, porque o
Aedes aegypti é um inseto holometábolo, como a gente diz. Ele tem as fase do
ovo, de larva, de pulpa e adulto. Se a larva não se desenvolve até a pulpa, ela nunca
vai dar um adulto. Então, o que a borra do café faz é um bloqueio do
desenvolvimento da larva”.
A vantagem de usar a borra de café como alternativa, segundo a professora, é que o produto não mata a planta e pode ser usada como adubo, ao contrário de
substâncias como o cloro, o sal e os inseticidas.
Para preparar o inseticida alternativo, basta
colocar quatro colheres de sopa cheias de borra de café em um copo com água. A
professora Hermione Bicudo ensina ainda que “é preciso trocar a borra de café a cada
sete dias, pois após este período, a cafeína perde seu efeito”.
Dados do Ministério da Saúde apontam que a estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é a de que entre 50 e 100 milhões de pessoas sejam infectadas pela doença anualmente, em mais de cem países, exceto os da Europa. Aproximadamente 20 mil morrem em conseqüência da dengue e cerca de 550 mil doentes precisam de hospitalização.
No Brasil, o Programa Nacional de Controle da Dengue implantado em 2002 prevê a elaboração de programas permanentes, "uma vez que não existe nenhuma evidência técnica de que a erradicação do mosquito seja possível, a curto prazo".
Segundo o ministério, no primeiro semestre de 2004 verificou-se no país uma redução de 73,3% nos casos da doença, em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério. Foram notificados 84.535 casos, contra os 299.764 de igual período em 2003.
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