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Brasília - A preocupação das grandes corporações mundiais com as
mudanças climáticas abre uma oportunidade para a produção brasileira de etanol,
avalia o professor Mário Ferreira Presser, coordenador do Curso de Diplomacia
Econômica da Unicamp. Os efeitos nocivos da emissão de gases que geram o efeito
estufa será um dos principais temas do Fórum Econômico Mundial, que começa hoje
(24) em Davos, nos Alpes suíços.
“A questão das energias renováveis e de todas as formas que
venham a reduzir a emissão de gases de efeito estufa tornou-se um assunto muito
importante na agenda empresarial”, avalia Presser. “Nos Estados Unidos e mesmo
em outros países, a utilização do etanol acrescentado à gasolina normal
tornou-se uma assunto obrigatório e todos sabem que o Brasil é o país mais
competitivo na produção de etanol”, destaca.
Hoje, americanos e europeus, principalmente, resistem à
importação do etanol brasileiro – é um
setor que os países avançados julgam sensível, não sujeito à liberalização
comercial. Insistem em subsidiar a cara produção local e a impor barreiras
tarifárias sobre a entrada de etanol estrangeiro. Esse cenário pode mudar a
partir dos debates de Davos.
“Essa preocupação renovada com as mudanças climáticas leva
água ao moinho das barreiras que travam o comércio internacional de etanol”,
acredita Mário Presser. “Eles dificilmente vão conseguir produzir o etanol
necessário no curto prazo, então, mesmo rangendo os dentes e com restrições,
tudo indica que vai haver uma abertura de mercado importante para o etanol brasileiro”,
acredita.
Um fator que pode acelerar as negociações é a possibilidade
de transferência de tecnologia brasileira de produção de etanol para países
africanos. “Isso tem vários atrativos: contempla os africanos,os europeus, o
Brasil. Resolve a questão do clima, da pobreza e da liberação do mercado de
açúcar e álcool. “A estratégia dos empresários brasileiros é mostrar que não se
tornarão os grandes produtores de etanol sozinhos, que muitos outros países em
desenvolvimento podem se beneficiar desta abertura de mercado”, analisa.
“Há entusiasmo com isso inclusive no Banco Mundial.
Uma vez que ninguém sabe bem o que fazer com a África, inserir a África como
produtor de um produto com demanda certa seria um tremendo avanço e seria um
grande gol para o Brasil”, acredita Mário Presser.
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