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Brasília - A proibição da propaganda de cigarros na mídia a partir de 2000
refletiu muito pouco na venda de cigarros no país, mesmo considerando a importância
da medida para frear o consumo, avaliou a fabricante de cigarro Souza Cruz.
Segundo o diretor de Assuntos Corporativos da empresa,
Constantino Mendonça, houve uma “pequena redução” nas vendas, sendo que os três
últimos relatórios anuais da Souza Cruz apresentaram números estáveis.
De acordo com Mendonça, o que vem atingindo mais seriamente
o setor é o mercado ilegal de venda de cigarro - contrabando, falsificação de
marcas e fabricação do produto em território brasileiro com sonegação de
impostos.
Esse segmento ilegal, segundo ele, abocanha entre 30% e 35%
do mercado nacional. “Nos últimos 10 anos cresceu a ilegalidade no setor”,
afirma o diretor da Souza Cruz, deixando claro que as campanhas institucionais
acabaram atingindo de “forma pequena” a indústria do fumo.
De acordo com a Souza Cruz, o volume de cigarros vendidos no
Brasil, em 2005, chegou a 128 bilhões de unidades. A estimativa da empresa é de
que 39 bilhões desse total pertença ao mercado ilegal, número que seria quase a
mesma quantidade vendida no mesmo ano pela Argentina, que chegou aos 41 bilhões
de cigarros vendidos.
Quanto à reclamação de entidades que atuam na área de
combate ao fumo de que a indústria vem promovendo, indiretamente, shows e
eventos com a participação de formadores de opinião fumantes, contratados pelo
setor para incentivar o jovem a fumar, além de fazer propaganda indireta
através de personagens em filmes e em novelas, Mendonça rebate afirmando que “é
uma leviandade”.
“Somos proibidos por lei em fazer qualquer tipo de
propaganda, a não ser nos pontos de venda, além de não poder patrocinar eventos
culturais e esportivos. Se acharem que a indústria do tabaco está financiando
alguém ou eventos, é só denunciar. Essa colocação é uma leviandade”, ressalta o
diretor da Souza Cruz.
O Brasil é o segundo maior produtor e exportador de fumo do
mundo. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), existe no planeta
cerca de 1,2 bilhão de fumantes. A previsão para 2050 é que esse número suba
para 2 bilhões.
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