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Lisboa (Portugal) - O professor da Universidade de Lisboa Filipe Duarte
Santos, membro da comissão portuguesa para alterações climáticas, disse hoje (2) que representantes dos governos dos Estados Unidos e da China pressionaram os cientistas reunidos em Paris para que salientassem incertezas sobre
o futuro do clima e evitassem alarmismos.
Especialistas mundiais em alterações climáticas e
representantes de vários governos, reunidos em Paris desde segunda-feira (29), anunciaram
previsões sobre o futuro do planeta até o final do século: aquecimento global
em 4 graus, uma alta do nível do mar de até 59 centímetros e agravamento das
secas e das ondas de calor.
O relatório traduz a versão oficial dos maiores
especialistas em alterações climáticas, mas traça um cenário abaixo do que
previam, por exemplo, cientistas que publicaram em dezembro, na revista Nature
um trabalho que indicava uma alta do nível do mar que poderia atingir 1,4 metro
até o final do século.
"Estas conclusões [reveladas hoje em Paris] resultam de
um consenso entre os cientistas e os representantes políticos. Sabe-se que os
Estados Unidos e a China pressionaram para que fossem salientadas [no
relatório] certas incertezas, na tentativa de as pessoas não se alarmarem",
afirmou à Agência Lusa Filipe Duarte Santos, professor catedrático do
Departamento de Física da Universidades de Lisboa e professor convidado da
Universidade de Indiana (EUA), Universidade de Munique (Alemanha) e
Universidade de Surrey (Reino Unido).
Duarte Santos explicou que o objetivo destas pressões está
relacionado com o fato de esses dois países serem dos maiores consumidores de
combustíveis responsáveis pelo aquecimento global e pelos cenários futuros em
termos de alterações climáticas.
"O problema é complicado, porque os dois países [China
e Estados Unidos] vão continuar a consumir combustíveis fósseis", comentou
Filipe Duarte Santos.
O relatório apresentado pelos delegados do Painel
Intergovernamental para as Alterações Climática s (IPCC) da ONU baseou-se no
conjunto das pesquisas científicas realizadas nos últimos seis anos para atualizar
e corrigir os dados do relatório anterior, de 2001.
O painel científico deverá divulgar nos próximos meses
outros relatórios sobre o impacto do aquecimento global, as formas de o mitigar
e um documento final de síntese, que deverá ser aprovado em Valência (Espanha).
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