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São Paulo - O aquecimento global
provocado pela emissão de gás carbônico (CO²) tende a intensificar chuvas, ondas de vento, de frio e de calor, explicou hoje (2)
José Marengo, pesquisador do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em entrevista à Agência Brasil. "A circulação atmosférica tende a
acelerar em condições de aquecimento”, disse ele, o que aumenta a quantidade e a
intensidade dos choques entre as massas de ar de diferentes temperaturas,
ocasionando eventos atmosféricos mais fortes.
A alta
emissão de CO² é uma das principais causas da elevação da temperatura na terra
entre 1,8 e 4 graus até 2100, segundo o
relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em
inglês), divulgado hoje em Paris. Esse grande volume de CO² presente na
atmosfera já garante que “o aquecimento [global] vai continuar, de qualquer
forma”, independentemente se a emissão desse gás parar de crescer, alertou
Marengo.
Projeções para as diferentes regiões do planeta serão divulgadas
pelo IPCC no mês de abril. Marengo adiantou que, além do crescimento do nível
do mar, que é um evento global, o maior impacto ambiental na América Latina poderá
ser na Amazônia. “[A floresta] poderia até sumir, sendo substituída por outro
tipo de vegetação, como o Cerrado”, segundo o pesquisador do Inpe. Aumentariam
as secas no nordeste do Brasil e as ocorrências de furacões em todo o país.
A implementação do Tratado de Quioto, o uso de energias
renováveis e um plano de reflorestamento são algumas sugestões para redução de
danos. “São medidas de longo prazo que custam muito, mas maior seria o
prejuízo”, disse Marengo.
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