



|
Brasília - Análises do Laboratório de Saúde do Trabalhador da
Universidade de Brasília (UnB) mostram que a Previdência detecta apenas 30% das
doenças trabalhistas existentes. A chefe do laboratório, professora Anadergh
Barbosa Branco, disse que a pesquisa auxiliou a criação do decreto que será
publicado na próxima segunda-feira (12), atualizando leis e alterando regras da
Previdência.
Ela explicou, em entrevista ao programa Cotidiano da Rádio
Nacional, que após as análises feitas pelo laboratório constatou-se que médicos
da Previdência não consideravam que muitas doenças haviam sido adquiridas no
trabalho. Com os estudos, a própria Previdência chegou à conclusão de que algo precisava
ser feito para que houvesse uma maior justiça social.
“Hoje são as empresas que têm o ônus da prova, ou seja, cabe aos empregadores
provarem que as doenças adquiridas pelas pessoas não têm relação com a função
exercida – e não o contrário, como era antes [da lei aprovada pelo Congresso
no ano passado]”, disse Anadergh Barbosa.
A professora lembra que atividades desgastantes como a de
professor apresentam níveis baixos de afastamento pela Previdência. “Isso para
nós é um reflexo da instabilidade e insegurança empregatícia que o trabalhador
tem. Como ele não tem um sindicato forte, acaba demitido, porque ele não
consegue caracterizar a doença como sendo relacionada ao trabalho e com isso
perde a estabilidade no emprego”, disse.
O decreto que deverá ser assinado pelo presidente Luiz
Inácio Lula da Silva também reduz a alíquota de contribuição previdenciária de
empresas com baixo número de acidentes de trabalho e aumenta o valor da alíquota
de empresas com muitos acidentes.
A professora ressalta que a medida não é uma questão de
proteger os trabalhadores, mas de justiça social. A partir dos estudos
realizados pelo laboratório, muitas doenças poderão ser prevenidas, pois os
setores de Relações Humanas e serviço médico das empresas identificarão com
mais facilidade os problemas, promovendo atividades de prevenção.
Entre os setores que registram mais casos de acidentes
de trabalho estão o médico-hospitalar, construção civil e o da produção de
açúcar e álcool. O setor que registrou queda nos números de trabalhadores
acidentados foi o da construção civil, porém ele ainda figura entre os setores
mais problemáticos devido aos elevados índices registrados nas décadas
passadas.
|
|