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Brasília - Se depender dos esforços brasileiros, o cenário
traçado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, em
inglês) para as mudanças climáticas no planeta até o fim do século não
se concretizará, na avaliação do coordenador geral de Mudanças Globais
do Clima do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), José Domingos
Miguez.
"O Brasil é limpo, e a política é que (se)
mantenha limpo", diz Miguez, que também fez parte do grupo de
pesquisadores do IPCC que divulgou na semana passada o relatório. O
documento prevê o aquecimento climático da Terra em até 4 graus Celsius
até o fim deste século. "O Brasil tem um perfil muito limpo no setor
energético. A idéia é que aumente ainda mais com biodiesel, com carvão
vegetal."
De acordo com Miguez, as previsões
de aquecimento global do IPCC se baseiam na premissa de que os países
não implementem nenhuma ação para combater o problema. “Eles [IPCC]
não supõem que os países tenham planos preventivos. É um cenário
futuro, caso nada seja feito”. O coordenador ressaltou ainda que são
perspectivas distantes, já que a previsão deste cenário é para o ano de
2100. O Brasil é um dos
países que faz parte do Protocolo de Quioto (acordo internacional para
reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa). Miguez lembra
que vai praticamente quintuplicar o número de projetos brasileiros
participantes do chamado Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL),
estabelecido pelo acordo de Quioto.
Por
meio do MDL, as empresas dos países que têm metas de redução das
emissões de carbono podem financiar projetos ambientalmente
sustentáveis em países em desenvolvimento, de tal forma que esse
investimento gera créditos que substituem o que deveria ser feito em
seus próprios territórios. Hoje, segundo Miguez, 206 projetos
brasileiros participam do MDL. Esse total deve chegar a mais de 1.000
em 2012.
“O Brasil precisa reduzir a emissão desses gases
combatendo os desmatamentos e queimadas. Nós somos diferentes dos
países energéticos, que têm como maior vilão a poluição com combustível
fóssil, por exemplo”, disse, em referência à queima de derivados de
petróleo e gás natural. Hoje (7) a
Comissão Interministerial sobre Mudança Climática, dirigida por Miguez,
reuniu-se no MCT para discutir propostas do MDL para 2007.
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