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13 de Fevereiro de 2007 - 21h21 - Última modificação em 13 de Fevereiro de 2007 - 21h24


Doenças de trabalho vão deixar de ser ocultadas em bancos, avalia sindicato

Érica Santana
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Vinte mil bancários já tiveram que pedir afastamento do trabalho. A maioria, segundo o sindicato da categoria, por sofrer de Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (DORT). Os números fazem da categoria uma das mais atingidas por acidentes de trabalho. Com a publicação de decreto, hoje (13), esses trabalhadores não terão mais que esperar a empresa reconhecer que houve uma doença ocupacional para ter acesso ao benefício do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Essa mudança, vai dificultar que as doenças ocupacionais sejam ocultadas, na opinião do diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília, Eduardo Araújo de Souza. "As doenças ocupacionais não apareciam estatisticamente. Agora, a gente acredita que vai melhorar essa estatística e também as empresas vão ter que tomar atitudes mais voltadas para a prevenção das doenças, porque elas podem pagar mais caro por isso”, avalia o diretor.

Menos de 60% das pessoas que entram com pedido de licença médica têm a demanda atendida, segundo Araújo. "Nós temos que entrar na justiça em praticamente 40% dos casos porque a empresa ou peritos não reconhecem como doença".

Desde 1990, a categoria luta para que LER e DORT sejam reconhecidas como doença do trabalho. "Facilita para que os bancários que apresentam  esses sintomas sejam reabilitados ou transferidos para outra função, sem que sejam demitidos, porque se não for reconhecido como doença de trabalho fatalmente a empresa pode demiti-lo assim que acabar a licença saúde”, diz.

Ele explica que, a partir da mudança do decreto, quando um médico do INSS atender um trabalhador e verificar que ele possui uma doença cuja incidência esteja acima da média da população normal, dentro daquela categoria de trabalhadores, já poderá caracterizar a situação como acidente de trabalho.

O diretor do sindicato defende que os bancos façam um trabalho médico-preventivo para evitar que os empregados tenham que se afastar do trabalho. “O sistema bancário é um dos que têm mais lucro no país, mas trabalha com uma quantidade muito pequena de pessoas. O excesso da carga de trabalho poderia ser minimizado com a contratação de novos empregados, mas eles só querem o lucro. Não querem gastar em engenharia e medicina do trabalho”.

Atualmente, o sindicato está realizado uma pesquisa sobre a saúde mental dos bancários e espera que em breve, doenças relacionadas a esse aspecto também sejam reconhecidas. “Com esse decreto a gente acredita que logo, logo, vamos conseguir incluir essa questão da saúde mental para os trabalhadores bancários”.


 

 

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