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Brasília - Estudos técnicos do Ministério da Saúde apontam o amianto
como problema de saúde pública e não apenas de saúde ocupacional. Esse é um dos
argumentos que serão usados no pedido de suspensão da liminar do Superior
Tribunal de Justiça (STJ) que deve ser oficializado até sexta-feira (16) pela
Procuradoria Geral da União (PGU), órgão da Advocacia Geral da União, que representa judicialmente o
Ministério da Saúde.
A liminar do STJ desobriga empresas a informarem
anualmente ao Sistema Único de Saúde (SUS) a lista de trabalhadores que
manipulam o amianto. A substância é considerada cancerígena pela Organização
Mundial da Saúde (OMS), inclusive a variedade conhecida como crisotila ou amianto
branco, que tem o uso controlado permitido pela legislação brasileira desde
1995. Portaria publicada em agosto do ano passado pelo ministério determina que
a listagem dos trabalhadores expostos à substância deve ser encaminhada ao SUS
até o primeiro dia útil de julho.
No entanto, 19 empresas que manipulam produtos com amianto entraram na Justiça
contra a portaria e obtiveram a liminar em dezembro de 2006. Ontem (13),
integrantes da área técnica de saúde do trabalhador e da consultoria jurídica
do ministério se reuniram com dois procuradores da República para definir a
estratégia contra a decisão.
Segundo o coordenador da Área Técnica de Saúde do Trabalhador do ministério,
Marco Antonio Perez, “estamos fazendo é um esclarecimento do problema de saúde
pública causado pelo amianto, um produto que pode causar câncer ou uma fibrose
pulmonar progressiva e irreversível, além de causar outros problemas”.
“A defesa do Ministério da Saúde está baseada em critérios técnicos, em cima de
uma argumentação de saúde pública que não tem absolutamente nada a ver com o
mercado. O nosso foco é o bem estar, a qualidade de vida e a sobrevivência da
população”, acrescentou. Perez informou que entre 1999 e 2004 foram registradas
cerca de duas mil mortes associadas à exposição do amianto.
De acordo com ele, a maior parte dos casos não entra nas estatísticas oficiais,
porque geralmente não é feita a associação entre a doença e a exposição ao
amianto. “Na grande maioria dos casos, o diagnóstico diferencial não é
realizado, daí a necessidade do Ministério da Saúde e do SUS acompanharem os
expostos”, explicou o coordenador, ao destacar que a lista ajudará a conhecer a
situação real do país, além de ter caráter preventivo.
Perez lembrou ainda que, por se tratar de um problema de saúde pública, o uso
do amianto, inclusive da variedade crisotila, vem sendo proibido nos últimos
anos em vários países.
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