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Brasília - A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência Social
(Anfip) classifica a aprovação do projeto de lei que cria a Super Receita como
“uma das mais relevantes conquistas de todos os tempos”. Apesar de criticar a
inclusão e a aprovação da emenda número três ao projeto original, a entidade
defende que a união da Receita Federal e da Secretaria da Receita
Previdenciária pode ser um primeiro passo para a reforma tributária.
Para o presidente da Anfip, Ovídio
Palmeira Filho, a centralização da arrecadação e fiscalização vai contribuir
para que o contribuinte brasileiro pague menos tributos. “A Super Receita é uma
reorganização da administração tributária federal e faz parte de um outro
grande projeto que é a desejada reforma tributária, tão debatida e não
realizada”.
Palmeira acredita que a Super Receita vai possibilitar a criação de um sistema
de arrecadação e de fiscalização mais eficiente que o atual. “Precisamos
primeiro reorganizar a administração tributária federal para depois fazermos as
necessárias modificações do sistema. Sem um órgão competente, ágil e eficaz,
para fiscalizar e arrecadar os tributos, não adianta fazer muitas modificações
legais”.
Segundo Palmeira, com um único órgão fiscal, mais eficiente, o número de
contribuintes deverá crescer. “Com todos pagando seus tributos, todos vão pagar
menos. Por isso acreditamos que a Super Receita possa proporcionar uma redução
na carga tributária que, hoje, é elevadíssima, na ordem de 38% do PIB [Produto
Interno Bruto]”.
A Anfip, entretanto, é contrária à aprovação da emenda número três. “A emenda
não prejudica nem aos fiscais da Receita, nem a nós da Previdência, mas sim aos
fiscais do trabalho. Dessa forma, ela prejudica acima de tudo o trabalhador
brasileiro”.
Palmeira critica a emenda dizendo que ela representa uma reforma trabalhista
velada. “Uma mudança muito mais ampla e profunda do que qualquer reforma que já
tenha sido proposta e recusada pela sociedade e pelo parlamento brasileiro”. Segundo
Palmeira, a emenda foi incluída no projeto e aprovada por pressão de grupos
empresariais, sem que tivesse sido discutida com os trabalhadores.
“Qualquer grande empregador, que é quem detém o poder
econômico, vai chamar seus funcionários e obrigá-los a constituir uma empresa
para não ter de pagar as obrigações sociais e trabalhistas”.
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