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Brasília - O cerrado ainda possui 61% de áreas remanescentes. Essa é a
conclusão de pesquisa dirigida pela Embrapa Cerrados (unidade da Empresa
Brasileira de Pesquisa Agropecuária), em conjunto com o Ministério do Meio
Ambiente e o Conselho
Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os números
foram apresentados hoje (15) na sede da Embrapa Cerrado, em Planaltina (DF).
As imagens do bioma são de 2002 e abrangem
os estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal,
Minas Gerais, Mato Grosso, Bahia, Tocantins, Maranhão e Piauí. Dois anos de pesquisa, a partir de 2005, foram necessários
para se chegar ao resultado apurado. São consideradas remanescentes
áreas em que permanece a vegetação original, em diferentes estágios de conservação.
Para o chefe-geral da Embrapa Cerrado, Roberto Teixeira, o resultado
ultrapassou as expectativas. “Mas não é por isso que a gente pode passar a
pensar que podemos eliminar um pouco mais”, comentou. “A idéia é manter esses
61% e fazer com que se consiga produzir mais alimento nas áreas já utilizadas.”
Pelos limites oficiais, o cerrado representa 207 milhões de hectares. Calcula-se que cerca de 78 milhões
de hectares são áreas utilizadas na agricultura e em pastagens cultivadas.
Um levantamento feito pela organização Conservação
Internacional, também com base em imagens de 2002, apontava 46% de
remanescentes. O coordenador da pesquisa da Embrapa, Edson Sano, diz que os
dados não se contradizem. “O nosso número, com base nos critérios do Ministério
do Meio Ambiente, contabiliza pastos com vegetação nativa como área
remanescente, e o deles não”, comenta o pesquisador. “Esses pastos correspondem
a cerca de 18% do território do cerrado.”
Segundo Sano, os dados da Embrapa são mais confiáveis,
porque trabalham com uma resolução de imagem bem mais alta, e assim permitem identificar
locais com potencial para aumento da produção ou proteção da biodiversidade.
Foram analisadas 117 cenas do satélite Landsat, que serviram para produzir 172
cartas cartográficas, cada uma com 8 milhões de hectares. Ele diz que agora se
detalhará o tipo de vegetação e a situação de cada área.
“Isso deve
estar pronto no começo de março”, comenta. A pesquisa custou R$ 700 mil, financiados pelo Banco
Mundial por meio do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da
Diversidade Biológica Brasileira (ProBio).
*Colaborou Pedro Biondi.
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