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Brasília - A presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila, Marina
Júlia de Aquino, disse que o Brasil é referência no uso controlado do amianto.
“No segmento de mineração e fibrocimento todo não existe nenhum registro de doença causada pelo amianto nos
trabalhadores desde 1980”, afirmou.
O instituto, que reúne 16 fábricas, entre elas a Eternit –
empresa que utiliza a fibra mineral na produção de telhas e caixas d’água, por
exemplo –, refutou o argumento do Ministério da Saúde de que o amianto é um
problema de saúde pública no país e não apenas de saúde do trabalhador.
Proibida no Brasil desde 1995, a substância é considerada cancerígena pela
Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 1997, devido a propriedades de alta resistência da fibra
ao impacto e ao calor, o uso controlado da variedade crisotila foi permitido no
Brasil.
No entendimento da presidente executiva do instituto, o
argumento do Ministério é equivocado. Ela disse que não há comprovação
científica de que a crisotila possa provocar doenças aos usuários de produtos
feitos de amianto, como as caixas d´água, a menos que suas fibras sejam
inaladas por longos períodos e altas concentrações. “Isso só pode ocorrer num
ambiente ocupacional, de trabalho”, ressaltou Aquino, acrescentando que a
substância não representa riscos à saúde da população em geral.
Mesmo nas fábricas, de acordo com ela, acordos firmados entre trabalhadores e
empresários a cada dois anos garantem níveis de exposição ainda menores no
ambiente de trabalho que os estabelecidos por lei.
Para prevenir os riscos ao trabalhador, o Ministério da Saúde definiu no ano
passado, na Portaria nº 1.851, critérios e procedimentos para que as empresas
comuniquem anualmente ao Sistema Único de Saúde (SUS) a lista dos trabalhadores
expostos ao amianto. A relação deve ser encaminhada até o primeiro dia útil de
julho, mas, por enquanto, a obrigatoriedade está suspensa.
Isso porque em dezembro do ano passado o Superior Tribunal de Justiça (STJ)
concedeu liminar contra a portaria, ao julgar ação movida pelo Instituto
Crisotila. Em entrevista ontem (14) à Agência Brasil, o coordenador da Área
Técnica de Saúde do Trabalhador do ministério, Marco Antonio Perez, disse que a
estratégia para tentar reverter a decisão é usar estudos técnicos que apontam o
amianto como problema de saúde pública.
Aquino disse ainda que as empresas de extração e industrialização de amianto
não são contrárias à obrigatoriedade do envio da lista de trabalhadores
expostos ao amianto ao SUS. Segundo ela, um dos problemas é que a portaria que
estabelece os procedimentos para esse comunicado “extrapola” a Lei nº 9.055 de
1995, que disciplina a extração, industrialização, utilização, comercialização
e transporte do amianto e dos produtos que o contenham.
De acordo com a presidente, a lei não fala em empresas
de comércio de produtos acabados, que foram incluídos na portaria que a
regulamentou. “Essas empresas não estão previstas na lei, até porque não
manuseiam fibra de amianto, elas manuseiam produtos acabados que têm o amianto
como fibra amalgamada”. Ela argumenta que não há registros de casos de doenças
provocadas pelo amianto entre esses trabalhadores, nem no Brasil nem em outros
países.
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