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28 de Fevereiro de 2007 - 20h58 - Última modificação em 28 de Fevereiro de 2007 - 20h58


Presidente de comissão pede mais investimento em energia nuclear

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A construção das sete usinas nucleares incluídas na revisão do Programa Nuclear Brasileiro poderia elevar a participação desse tipo de energia na matriz energética, hoje em torno de 2,5% para 5% em 2030. O cálculo é do presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, que defende mais investimentos no setor.

“Com as sete usinas, a gente quer chegar entre 5% a 6%”, diz Gonçalves. Pelos cálculos dele, toda a operação nuclear, que envolve essas sete novas usinas de grande porte, teria um custo total de cerca de U$ 20 bilhões.

Não há ainda estudos sobre o potencial de abastecimento dessas usinas, mas o presidente da Cnen argumentou que apenas uma pequenina pastilha de urânio é capaz de suprir uma cidade como Campinas (SP) por um mês.

"Nós temos uma reserva de urânio, que é a sexta do mundo e pode chegar à ser a segunda porque só prospectamos 30% do nosso território até 100 metros. Portanto, isso nos permite ter uma fonte de energia absolutamente endógena e autônoma."

O país já domina o enriquecimento de urânio, faltando somente, nas fases do ciclo do combustível, transformar o  “yellow cake” (forma em que o urânio é comercializado  em todo o mundo, contendo 70% do minério) em gás.

A usina de Angra 1 teve sua construção iniciada em 1972, entrando em operação comercial em 1985. Angra 2 iniciou a construção em 1977 e começou a funcionar comercialmente em 2001. Angra 3, por sua vez, já tem equipamentos comprados, nos quais foram investidos em torno de U$ 750 milhões, mas a unidade segue com o processo de licenciamento ambiental parado por decisão da Justiça.

Como se trata de um minério estratégico, a exploração do urânio deve ser feita pelo governo brasileiro. O presidente da Cnen, admite, por outro lado, a possibilidade de que a exploração de todo o potencial do país seja feita também  através de concessões públicas para empresas privadas.

Gonçalves diz que não há problemas de segurança em relação às usinas nucleares brasileiras. O tipo de usina nuclear (PWR) em operação no Brasil, de água pressurizada, só tem registro de um acidente sério no mundo, na Pensilvânia (EUA), em 1979, sem mortes.

 
“Qualquer falha detectada em qualquer usina leva os órgãos reguladores a exigir que a usina incorpore aquela medida de segurança imediatamente. Não existe nenhuma outra área empresarial e industrial no mundo que tenha normas de segurança tão rígidas como tem a área nuclear. É isso que garante uma segurança total no setor.”

Sobre o armazenamento dos rejetiso radioativos, o presidente da Cnen considera que  o Brasil já avançou nesse ponto. No caso de Angra I, todo o combustível queimado em sua vida útil pode ser armazenado em uma piscina que existe dentro da própria usina. Por lei, o depósito tem que ser comprovadamente seguro por 300 anos.



 


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