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São Paulo -
A violência é um “problema multifacetado e ainda não completamente
entendido” pela sociedade, na avaliação de José Roberto Belintane,
superintendente do Instituto São Paulo contra a Violência, uma Organização Não-Governamental. Ele lembrou que o tema
segurança pública é hoje uma das principais preocupações da sociedade
brasileira, junto com a geração de emprego e renda.
Para Belitane, essa complexidade envolve questões sócio-econômicas como a
distribuição de renda e a ausência da oferta de serviços essenciais de
infra-estrutura, além da dificuldade de acesso de uma boa parcela da população
a cultura, saúde, educação, lazer e esportes.
Em entrevista à Agência Brasil, Belintane lembrou que a sociedade tem papel
importante para conter a violência. “O que se pode fazer primeiro é conscientizar-se de que cada um de nós, individual ou coletivamente, tem papéis a
cumprir”.
O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros, da Organização dos Estados
Ibero-Americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), divulgado na
semana passada, mostrou que São Paulo foi o único estado que conseguiu reduzir
de forma significativa os índices de violência de 1994 a 2004.
Em 1994, por exemplo, São Paulo figurava em oitavo lugar no ranking dos
estados com maior índice de homicídios e em 2004 o estado passou a ocupar a
décima posição.
Para Belintrane, as razões que explicariam essa queda seriam o “melhor
equipamento e treinamento das polícias e a melhoria na inteligência e na
investigação policial”, além da mobilização da sociedade civil em organizações
e movimentos sociais.
Também houve queda no número de homicídios entre jovens em São Paulo. Em
1994, o estado aparecia na terceira posição e, dez anos depois, passou a ocupar
o nono lugar entre os estados brasileiros.
“O jovem é considerado o grupo de maior risco em comparação com todas as
faixas etárias quando a questão é violência e criminalidade”, afirma o diretor.
Segundo ele, além de tudo há a necessidade de afirmação natural da idade.
“Se boas oportunidades não são oferecidas, as ruins que o crime organizado
oferece permitem ao jovem rapidamente essa afirmação, esse status. Ele tem uma
tendência a se deixar levar pela sedução da criminalidade”.
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