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Brasília - Brasil e Estados Unidos poderão atuar em parceria na
reconstrução do Haiti. A cooperação bilateral em terceiros países será debatida
durante visita do presidente norte-americano, George Bush, ao Brasil, nos dias
8 e 9 de março, segundo informou nesta terça-feira (28) o ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim. “O Haiti deve ser um tema importante, precisamos de
muita ação. No curto prazo você tem que mostrar que a vida melhorou”, afirmou.
Segundo Amorim, não basta que as tropas brasileiras garantam
segurança aos haitianos. É preciso construir escolas. “Para isso precisamos de
dinheiro norte-americano”, destacou Amorim.
O Brasil comanda as forças militares da Missão de
Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) – a missão está no país
desde 2004, em razão da crise política e social que resultou da queda do
ex-presidente Jean Bertrand Aristide. O mandato da missão vem sendo renovado de
forma contínua, desde então. No dia 15 deste mês, o Conselho de Segurança da
ONU decidiu ampliar a permanência da força de estabilização no país mais pobre
das Américas até 15 de outubro deste ano. De acordo com o ministro brasileiro, Brasil e Estados Unidos
não deverão tratar da situação política dos vizinhos sul-americanos, embora a
visita de George Bush inclua outros países da região. “Não somos intermediários
de ninguém, não vamos falar em nome de ninguém, mas vamos tentar que essa boa
relação (entre Brasil e Estados Unidos) seja útil para toda a América do Sul”,
afirmou Amorim.
“O que nós queremos é que os Estados Unidos tenham uma visão
de compreensão dos problemas da América do Sul, compreensão da diversidade, da
pluralidade que existe na América do Sul, e das nossas reivindicações
econômicas”, ressaltou, reforçando que o Brasil não obterá nenhuma vantagem que
não alcance também os vizinhos sul-americanos.
Indagado sobre um maior interesse, neste momento, dos
Estados Unidos pela região, afirmou: “Tenho impressão de que há um interesse
acrescido. Nós podemos contribuir para que esse interesse se traduza em coisas
positivas numa visão de cooperação e não no estilo antigo de intervenção, que
não deve existir. Acho que a relação com o Brasil contribui para isso”.
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