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Brasília - Estudo sobre direitos humanos no Brasil revela que os
agentes do Estado, “responsáveis pelo cuidado da vida e dos direitos humanos
dos cidadãos”, são os que mais têm transgredido as leis de proteção de crianças
e adolescentes no país. E a violência policial, considerada a mais visível
dentre as praticadas por agentes públicos, “excede os limites legais,
denominando-se claramente como abuso de poder”.
Essas afirmativas estão no artigo “Criança e Adolescente”,
assinado pela coordenadora Nacional da Pastoral do Menor, Neuza Mafra. O texto
compõe o livro Direitos Humanos no Brasil 2 – Diagnóstico e Perspectivas,
lançado na semana passada em Brasília. A publicação traz um monitoramento da
questão dos direitos humanos no país entre 2003 e 2006.
“Quando as vítimas são crianças e adolescentes e o agente
violador é o Estado, constata-se uma grave crise institucional. Quando elas têm
que se defender daqueles cuja missão é protegê-las e defendê-las, o quadro é de
caos e contradição”, destaca a autora. Para ela, esse tem sido o retrato mais
preocupante, já que mostra uma das faces da violência, a institucional, que se
dá em nome da manutenção do controle da lei e da ordem.
Segundo a coordenadora da Pastoral do Menor - entidade
ligada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - as crianças e
adolescentes brasileiros são vítimas da tortura, da negligência nas
instituições de abrigo, dos grupos de extermínio e do descaso do Poder
Judiciário.
Ela critica também a falta de um banco de dados “confiável”
que permita traçar um quadro geral da violência policial no Brasil, “apesar de
esse tipo de procedimento ser do conhecimento de todos”. Neuza Mafra afirma que
os números seriam bem maiores do que o “oficial”, se as investigações policiais
fossem eficientes e se os mesmos policiais que matam em nome da lei não
recebessem indulgências da Justiça Militar.
“Prova disso encontra-se no alto número de homicídios
praticados por agentes do Estado e no baixo número de casos julgados”, sublinha
a autora do artigo.
Os dados mais recentes sobre assassinatos de crianças e
adolescentes no país datam de 2002, em publicação da Unesco, informa Neuza
Mafra. O estudo revela que os negros são as maiores vítimas de homicídios:
chega a ser 74% superior à taxa dos brancos. Esses crimes têm “como principais
responsáveis os policiais militares, em serviço ou não, e que têm o aval de
diferentes frentes”.
São parceiros na publicação do livro Direitos
Humanos no Brasil 2 – Diagnóstico e Perspectivas: Movimento Nacional de
Direitos Humanos; Plataforma Brasileira de Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais; Processo de Articulação e Diálogo entre as Agências Ecumênicas
Européias e Parceiros Brasileiros; e entidades da Miseror (Igreja Católica da
Alemanha) no Brasil.
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