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Brasília - Comparado aos países desenvolvidos
do hemisfério norte, o Brasil contribui pouco para a emissão global dos gases do efeito
estufa, embora as queimadas na Amazônia sejam o grande “pecado”
brasileiro quando o assunto é a emissão dos gases que acabam provocando o aquecimento global.
De
acordo com o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais,
José Marengo, "nós temos uma contribuição relativamente importante na
forma de queimadas associadas ao desmatamento”. O
país é ecologicamente correto na geração de energia, já que 80% da
principal fonte energética do país (a energia elétrica) é gerada a
partir de hidrelétricas, segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA). O
Brasil também ganha pontos por possuir um programa de substituição de
combustíveis fósseis por renováveis, o Programa Nacional do Biodiesel.
No momento, o etanol (nome científico do álcool da cana-de-açúcar)
alcança 45% da matriz energética brasileira, segundo o MMA. As
queimadas da Amazônia, de acordo com a organização não-governamental
Iniciativa Verde, respondem por aproximadamente 70% das emissões
brasileiras de gases do efeito estufa. “O mais urgente, em questão de
mudança climática, é estancar as queimadas na Amazônia a qualquer
custo. É inadmissível que o país tenha essa postura indolente em
relação a um crime ambiental dessa monta”, reivindica o diretor da
Iniciativa Verde, Osvaldo Martins. “O
nosso principal vilão das emissões brasileiras são os desmatamentos na
Amazônia. Se não fossem os desmatamentos na Amazônia o Brasil seria um
país que emitiria muito pouco, porque os desmatamentos aumentam muito
essas emissões”, concorda o climatologista Carlos Nobre, pesquisador do
Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Cptec-Inpe). O
governo brasileiro conseguiu reduzir em 52% o desmatamento da Amazônia
nos últimos dois anos. De acordo com o MMA, a redução do desmatamento
evitou a emissão de cerca de 430 milhões de toneladas de gás carbônico
na atmosfera. Outra atitude tomada para evitar as queimadas foi a
criação de novas unidades de conservação federal, que atualmente já
superam 50 milhões de hectares. O
consumidor, por sua vez, também pode contribuir para a diminuição das
queimadas na Amazônia. Nobre lembra que o cidadão é quem consome a
madeira que muitas vezes é extraída ilegalmente, com desmatamentos
ilegais. Ou então consome a carne da pecuária que invadiu a floresta
com queimadas ilegais para plantar pasto. “O consumidor consciente, o consumidor responsável, [verifica]
a origem dos produtos. Ele vai olhar os produtos que vêm da Amazônia e
vai olhar a origem. Se não for legal, ele não consome. Como isso o
consumidor estará dando uma enorme contribuição à redução dos
desmatamentos na Amazônia que, como eu falei, é a principal fonte de
emissões de gases do efeito estufa”.
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