Dois representantes dos movimentos sociais haitianos visitaram o Brasil e criticam a atuação da Força de Estabilização de Paz no Haiti (Minustah), enviada em 2004 ao país mais pobre das Américas após a queda do ex-presidente Jean Bertrand Aristide. O braço militar da missão é comando pelo Brasil.
Em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o arquiteto e professor da Universidade do Haiti, Didier Dominique, criticou a atuação do grupo, que, segundo ele, não possui um projeto pragmático de ajuda ao povo haitiano.
“As tropas estrangeiras não estão fazendo um trabalho a favor do povo
haitiano. A paz que existe é a ‘paz do cemitério’, feita com a
violência da morte. É uma paz que está a favor do projeto imperialista que está se desenvolvendo no país”, desabafa o arquiteto e professor da Universidade do Haiti, Didier Dominique,
em relação às denúncias de violência das tropas militares, da Polícia
Nacional do Haiti e da interferência de países como o Brasil e os
Estados Unidos na região.
O arquiteto
citou que as críticas também estão citadas no relatório final da Missão
Internacional de Investigação e Solidariedade com o Haiti, que será
entregue às autoridades brasileiras nos próximos dias. O documento foi
elaborada com a participação de vários movimentos sociais e entidades
latino-americanas. Dominique e a antropóloga Rachel Beauvoir, ambos integrantes do movimento social Batay Ouvriye,
fazem um giro pelo Brasil, desde o último dia 1º, tentando sensibilizar
a sociedade pela retirada de tropas estrangeiras.
Dominique
sublinha que há uma degradação social no Haiti, o que tem provocado uma
migração do campo para os centros urbanos, com pessoas indo em busca de
trabalho. Isso, segundo o professor, tem levado a altas taxas de
desemprego, uma crise que tem ajudado a burguesia a manter os baixos
salários. “As forças armadas estão lá para manter uma ordem, que
significa operários trabalhando com salários de miséria e repressão
anti-sindical muito forte”, ressalta Dominique. Essa paz não convém ao povo haitiano, prossegue ele, já que se esperava um projeto “realmente popular”, uma cooperação em favor do desenvolvimento social e popular, e não “em prol do projeto burguês de exploração da mão-de-obra e a mando das multinacionais”.