|
Brasília - Bahia, Minas Gerais, Tocantins e Rio de Janeiro
são os quatro estados brasileiros que têm acompanhamento especializado
nas ações de combate à violência contra a mulher por parte de
organizações não-governamentais (ONGs). O
projeto Acompanhamento e Fortalecimento da Política
Nacional de Combate à Violência contra as Mulheres é uma parceria da
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres com as ONGs
Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação (Cepia) e Ações em
Gênero, Cidadania e Desenvolvimento (Agende). A
presidente da Agende, Marlene Libardoni, explica que representantes da
organização da qual faz parte visitam periodicamente os estados da
Bahia, Minas e Tocantins. Nas reuniões, as especialistas ajudam os
estados a articular melhor a rede de serviços de atendimento à mulher
vítima de violência e observam quais são as carências para a boa
execução do trabalho. “É bastante
gratificante ver que uma ação pontual, de uma assessoria técnica, um
apoio político estimula uma melhora da comunicação, da articulação, do
fluxo de atendimento dentro da rede de enfrentamento à violência contra
as mulheres”, afirma. O projeto,
que já funciona há quase dois anos, detectou que uma das carências do
país na área de atendimento à mulher é a falta de informações e a
subnotificação dos serviços prestados pela rede pública. “A gente ainda
tem dificuldade com os dados que chegam das próprias delegacias
especializadas, e muito mais nas estatísticas oficiais, porque as
próprias mulheres não denunciam, ou quando denunciam retiram a queixa,
então os dados concretos no nosso país são bastante difíceis”, explica
Marlene Libardoni. Um relatório
elaborado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do
Ministério da Justiça revela que de cerca de 22 mil inquéritos
instaurados nas delegacias especializadas de Atendimento à Mulher
(DEAMs) de todo o país, houve retirada de aproximadamente metade das
queixas, cerca de 10 mil. Apesar
das deficiências do sistema, Libardoni comemora a aprovação, no ano
passado, da Lei Maria da Penha. Segundo ela, a nova legislação trouxe
para a agenda pública a discussão do enfrentamento da violência contra
as mulheres. “A lei significa uma
revolução no Poder Judiciário. E ela representa uma revolução na vida
das mulheres também. Eu acho que a gente está num novo patamar, numa
nova realidade, onde todos têm um pouquinho de responsabilidade para
que essa nova realidade aconteça mesmo”.
|