|
Brasília - A decisão do governo federal de
alterar o cálculo da Taxa Referencial (TR) vai causar efeitos opostos para donos
de banco e os quase 30 milhões de trabalhadores com carteira assinada no país.
Na opinião do presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Arthur
Henrique Santos, a mudança aumenta o lucro dos bancos e reduz o rendimento dos
trabalhadores que têm seu dinheiro aplicado no Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS).
A TR é usada para reajustar a Caderneta
de Poupança e o FGTS. O Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou, esta semana,
o cálculo da TR. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, presidente do CMN, disse
que a decisão corrige uma distorção, já que tanto a inflação quanto os juros
estão caindo. "Todas as taxas estão caindo. A TR tem que acompanhar. Ela é
uma taxa móvel e foi feita para refletir uma parte da inflação", defendeu o ministro.
Com uma TR menor, os bancos
ganham mais, na opinião do presidente da CUT, já que a taxa de rendimento mais
baixa faz o consumidor procurar outras opções, como o fundo de renda fixa, que
rende mais para a empresa.
"Essa
medida transfere renda
de um setor altamente beneficiado pelas altas taxas de juros, como o
financeiro. Está sendo de novo beneficiado em detrimento de setores
como, por
exemplo, da construção civil e do saneamento, que têm uma relação
também direta
com o fundo de garantia e com os investimentos que são feitos no fundo
de
garantia para esses dois setores". O dinheiro aplicado no FGTS pode ser
usado em investimentos nas áreas de saneamento e habitação.
A decisão de alterar o cálculo da TR
foi do CMN. "Se o Conselho Monetário Nacional tivesse a participação de
representantes dos trabalhadores e dos empresários, outras visões a respeito da
necessidade de mudança da política macroeconômica poderiam ser debatidas",
disse.
|
|