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Brasília - Um levantamento do Instituto de
Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) mostra que quase metade (40%) da malha rodoviária da BR-163 é cortada por estradas ilegais, construídas de forma precária principalmente para apoiar o desmatamento ilegal na Amazônia. Segundo um dos coordenadores do instituto, Ricardo Melo, a demora na pavimentação da rodovia contribui para a abertura destas rotas.
"O governo quando
abre uma área de assentamento, por lei, é obrigado a abrir estradas pras
populações. Mas muitas vezes ele não tem dinheiro para fazer isso. Como
você tem pessoas assentadas e não tem dinheiro para construir estradas
legais, começa um processo ilegal de abertura de estradas que é feito
em parceria com o setor privado, formado por madeireiros e
pecuaristas”, diz Melo.
Esta semana, representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Instituto de
Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da sociedade civil discutiram os maiores desafios da BR-163, que liga Cuiabá
(MT) a Santarém (PA). A BR-163 tem 1,7 mil quilômetros e é uma das
rodovias utilizadas para o escoamento da soja produzida no Mato Grosso.
A estrada é alvo de ocupação desordenada e de atividades rurais não
planejadas. “É preciso definir quem é dono de que. A partir disso a gente tem
outras coisas, a questão da gestão florestal, como vai ser explorado
isso. Se essa exploração de fato vai representar uma melhoria de vida
das populações locais, como gerenciar as florestas dessas regiões”, sugere o coordenador do Ipam.
Foram
definidos na reunião quatro eixos de trabalho. Segundo o pesquisador do
Ipam, David McGrath, os desafios são: as questões fundiárias, a questão
da implantação da nova política florestal especificamente o Distrito
Florestal, fortalecimento da participação da sociedade civil e a
questão do fomento à produção.
Para o diretor do
programa nacional de florestas do Ministério do Meio Ambiente, Tasso
Azevedo, o maior desafio é completar o asfaltamento da rodovia com um
modelo de desenvolvimento econômico sustentável da floresta. “A
floresta em pé tem que valer bem mais do que a floresta no chão.”
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