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Rio de Janeiro -
O 1º Simpósio Brasileiro de Mudanças Ambientais Globais,
aberto hoje (11) no Rio de Janeiro, quer mostrar os avanços científicos
brasileiros no campo das várias dimensões da ação da espécie humana sobre o
ambiente global, segundo o organizador do evento, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(INPE)
Carlos Nobre.
De acordo com Nobre, que preside o Programa Internacional da
Geosfera-Biosfera, a ciência tem que avançar para minimizar o potencial
risco do setor agrícola para o clima mundial.
O simpósio termina nesta segunda (12) e, segundo Nobre, “vai
identificar uma série de lacunas do conhecimento onde nós precisamos avançar;
quais as áreas não cobertas, além da discussão do que nós conhecemos no Brasil
sobre as mudanças ambientais globais”.
Os participantes do encontro
analisarão os ciclos biogeoquímicos globais, como os ciclos do carbono e do
nitrogênio - “que estão sendo radicalmente transformados pelas ações
humanas” - e o que significa isso. Ou seja, qual é o impacto da mudança
desses ciclos para a biodiversidade, para os recursos hídricos, para a
produção agrícola.
O simpósio será encerrado abordando as dimensões humanas.
Carlos Nobre explicou que será avaliada então a parte mais socioeconômica
das mudanças ambientais globais. O maior foco será sobre a dinâmica dos usos da
terra na Amazônia. “Por que a floresta está sendo desmatada? Não apenas o
quanto, mas quais são os mecanismos que ajudam a entender os processos socioeconômicos
subjacentes ao desmatamento da floresta amazônica”, adiantou.
Não há, segundo Nobre, intenção de subsidiar o governo com
as conclusões obtidas no simpósio. Entretanto, dada à participação
significativa de representantes do meio governamental, Carlos Nobre
imagina que o efeito direto da revisão do conhecimento existente no Brasil
sobre mudanças ambientais globais será útil à União.
Muitos dos cientistas envolvidos no simpósio participam do
Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que é presidido pelo presidente
da República, lembrou. “E o fórum tem um mecanismo muito direto de comunicação
não só do que se sabe na ciência mundial e brasileira, mas das articulações,
dos desejos, das sociedades representadas no fórum por organizações não
governamentais, empresários e movimentos da sociedade civil”.
Nobre ressaltou ainda a multiplicação em curso no país
de fóruns estaduais, como o do Rio de Janeiro, para a discussão de temas relacionados
às mudanças ambientais. Ele acredita que esses mecanismos são os locais mais
adequados para que os anseios da população cheguem ao nível do tomador final
das decisões mais importante do país, que é o presidente da República.
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