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Brasília - Apresentador (Luiz Fara Monteiro): Olá, você, em todo o Brasil.
Começa agora o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula.
Como vai, presidente?
Presidente: Bom dia, Luiz. Bom dia, ouvintes. Tudo bem,
Luiz.
Apresentador: Presidente, qual foi o resultado desse seu
encontro com o presidente dos Estados Unidos, George Bush, na última semana?
Essa parceria na área de biocombustíveis pode dar resultados econômicos a curto
prazo para o Brasil ?
Presidente: Quando se trata de comércio exterior,
quando se trata de parceria, quando se trata de investimento conjunto em
pesquisa, há um processo de maturação. Nesse processo de maturação, é que nós
acreditamos que Estados Unidos e Brasil podem fazer uma parceria que possa
mudar a lógica da política energética na área de combustíveis no século 21. O
que é que acontece na verdade? Os Estados Unidos são grandes produtores de
álcool e produzem o álcool de milho. O álcool de milho é mais caro do que o
álcool de cana-de-açúcar. Só para ter uma idéia, o Brasil precisa investir US$
0,28 para produzir um litro de álcool, e os Estados Unidos precisam investir US$
0,45 para produzir um litro de álcool de milho. O mais importante é que nós
estamos criando um fórum internacional, que envolve os Estados Unidos, Brasil,
Índia, China, África do Sul e a União Européia. Nós estamos convencidos de que
essa parceria passa por investimentos dos países mais ricos em países mais
pobres para que eles possam produzir também o álcool ou produzir o
biocombustível, o biodiesel.
Apresentador: Esse é o Café com o Presidente, o programa de
rádio do presidente Lula. Presidente, em relação a tornar o álcool como uma
commodity, uma espécie de mercadoria que tem o preço regulado
internacionalmente, o que isso favorece o Brasil?
Presidente: Antes de falar da commodity, deixa eu dizer
uma coisa ainda da questão comercial, para que o nosso ouvinte entenda
perfeitamente bem. O que é que os países em via de desenvolvimento estão
desejando neste momento? Eles estão exigindo que a Europa permita o acesso dos
produtos agrícolas ao mercado europeu, essa é uma coisa que nós queremos. A
outra coisa que nós queremos é que os Estados Unidos diminuam os subsídios que
eles dão para seus agricultores. E o que eles querem de nós? Quando eu digo
nós é Brasil, China, Índia, África do Sul, Argentina, México, o que é que eles
querem de nós? Que a gente também faça concessões em produtos industriais e no
setor de serviços. Ou seja, nós estamos dispostos a fazer a nossa parte, levando em
conta a proporcionalidade e a riqueza de cada país porque, no caso da
agricultura, enquanto no Brasil nós ainda temos 25% de gente trabalhando no
campo, e na África há países que têm 70%, na França você tem 2%. Significa
que o peso agrícola para os franceses é muito menor do que o peso para um país
africano que tem uma larga escala de mão-de-obra trabalhando no campo. Esse
tripé, na verdade, esse triângulo que estamos montando, cada um faz um pouco de
concessão, é que vai garantir o acordo que todos nós estamos torcendo para que
ele aconteça, porque isso seria a salvação dos países mais pobres. Com relação
ao álcool se transformar em commodity, eu acho que é uma questão irreversível.
Na medida em que o álcool começa a ganhar corpo, começa a ser misturado na
gasolina e os países do mundo inteiro começam a se preocupar em diminuir a
emissão de gás carbônico e a mistura diminui a emissão, isso significa o quê?
Isso significa que logo, logo, o álcool vai ter um preço internacional,
portanto, vai ser commodity. Nós temos de ter mais responsabilidade, porque nós
temos que, não só oferecer o álcool, mas garantir o suprimento do mercado
brasileiro e do mercado internacional. Por isso, nós precisamos plantar muito
mais cana. É preciso dinamizar a cultura do álcool por outros países, levando em
conta que nós temos de preservar duas coisas. Primeiro, preservar as nossas
matas e a nossa fauna, ou seja, nós não queremos plantar cana-de-açúcar para produzir
álcool e nem plantar oleaginosas para produzir biodiesel na Amazônia, por
exemplo, ou no Pantanal. Nós queremos utilizar as áreas já degradadas para que
a gente possa plantar. A segunda coisa, também não compete com o alimento,
porque o problema do alimento hoje no mundo não é a falta de terra. O problema
é que tem uma parte da população muito pobre que não pode consumir. Então, eu estou
convencido, Luiz, de que nós estamos perto de um grande acordo. Eu estou
convencido de que Estados Unidos e Brasil se tiverem disposição de cumprir o
protocolo que nós assinamos, nós estaremos dando uma virada na matriz
energética mundial, na área de combustível, para os próximos 20 ou 30 anos.
Apresentador: Pois é, o senhor vai aos Estados Unidos no
final do mês. Qual vai ser a pauta desse encontro? Etanol e biodiesel vão
voltar a ser discutidos nessa conversa?
Presidente: Sim, o etanol, o biodiesel, a relação
Brasil-Estados Unidos, porque nós temos de levar em conta que os Estados
Unidos continuam sendo nosso principal parceiro individual, do ponto de vista
do comércio, e é o maior investidor individual no Brasil. Portanto, nós temos
uma relação histórica. Queremos mantê-la, queremos aprimorá-la, isso sem que
nós abdiquemos do nosso compromisso maior, que é todo o processo de
fortalecimento do Mercosul, a constituição da Comunidade Sul-Americana de
Nações e o processo de integração que estamos fazendo.
Apresentador: OK. Obrigado, presidente. Até o nosso próximo
programa.
Presidente: Até o próximo programa, Luiz. E, mais uma
vez, obrigado aos ouvintes.
Apresentador: Você pode acessar o Café com o
Presidente também na internet em www. radiobras.gov.br. Até a próxima
segunda-feira com mais um.
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